A dama do eldorado canavieiro sul-mato-grossense

A dama do eldorado canavieiro sul-mato-grossense
Secretaria de Desenvolvimento Sustentável de Dourados, se empenha para o sucesso do Polo de Serviços do Setor Sucroenergético

Nos últimos anos, uma nova personagem passou a compor o cenário do setor sucroenergético, é Neire Colman, secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Município de Dourados, MS. Em sua missão de expandir a agroindústria canavieira para a região de Dourados, Neire participa, de forma atenta e bastante simpática, de diversos eventos do setor, visita entidades, empresários e faz parcerias, enfim, muni-se de informações e experiência para colocar em prática o Projeto Polo de Serviços do Setor Sucroenergético de Dourados e Região.

A cidade conta com aproximadamente 200 mil moradores, em seu entorno estão 38 municípios, com um total de 800 mil habitantes. Responsável por 60% da cana no Estado, Dourados se apresenta como a capital sucroenergética de Mato Grosso do Sul, seria como Sertãozinho no interior paulista. Mas para que esse título faça justiça, além de terra para o cultivo da cana, os administradores de Dourados querem oferecer infraestrutura e benefícios fiscais, como isenção de ICMS, para que novas unidades produtoras e também empresas fornecedoras de produtos e serviços para usinas se instalem na cidade e região.

A Associação dos Produtores de Bionergia de Mato Grosso do Sul (Biosul) e o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CeiseBr) já são parceiros do Projeto Polo de Serviços do Setor Sucroenergético de Dourados e Região. E Neire, cada vez mais, estreita laços com a prefeitura de Sertãozinho, a Secretaria quer aprender com eles os erros e acertos para o melhor desenvolvimento do Projeto, um ponto importante ela já sabe: é fundamental que haja mão de obra qualificada.

Formada em Ciências Econômicas, Neire diz que não é econômica, mas sim economista, também cursou MBA em Gestão de Negócios e MBA na FGV em Gestão de Projetos. Para completar o pacote de conquista da agroindústria canavieira para a região, a Secretaria também trabalha no sentido de aumentar a troca de informações e exposição de tecnologia. Para isso, investe na realização do 6º Congresso da Cana de Açúcar de Mato Grosso do Sul, o Canasul 2012, que acontecerá em Dourados no próximo mês de outubro.

Neire, que participou do Encontro Cana substantivo feminino, realizado em Ribeirão Preto, pela Paiva & Baldin Editora, é a convidada deste primeiro Bate-Papo com a nossa revista.

Quais funções ocupou antes de ser Secretaria de Desenvolvimento de Dourados?

Fui gestora de projetos no Sebrae em Campo Grande, onde auxiliei o desenvolvimento de um polo industrial do setor de têxtil e confecção. E nos quatro últimos anos, sou gerente da Regional Sul do Sebrae onde atendemos 38 municípios da região do sul em projetos e ações focadas no desenvolvimento das micro e pequenas empresas nos diversos setores da economia, principalmente na cadeia de madeira e móveis, têxtil e confecção, comercio varejista, metal mecânico, além do setor do agronegócios voltados para pequenos negócios rurais, alimentos orgânicos, leite, café e hortifrúti.

Atualmente, o que representa o setor sucroenergético para Dourados e região?

O governo de Mato Grosso do Sul fez um zoneamento ecológico econômico no Estado e mapeou as potencialidades vocacionadas para cada região, ou seja: região norte: potencialidade para o turismo, região oeste: potencialidade no setor minero siderúrgico, região leste: papel e celulose, e , região sul, setor: sucroenergético. Com foco nestas estratégias de desenvolvimento do Estado, focamos o setor como propulsor da economia local, podendo alavancar renda e ocupações ainda inexploradas pelo município. Como no caso do setor metal mecânico, onde constam um numero considerável de empresas representadas pela federação das indústrias do Estado, as 14 unidades sucroenergéticas instaladas na região, num raio de 100 km de Dourados, podem ser propulsoras da economia, desde que seja realizado um trabalho de estruturação tanto na área agrícola como na indústria e serviços no município.

Qual o potencial de Dourados e região para a cultura canavieira?

A região de Dourados tem um potencial climático, geográfico e boa diversificação de culturas que podem agregar a cana-de-açúcar com excelentes resultados, existe grande parte de áreas que ainda não são cultiváveis ou que possam haver a integração de culturas. O que estamos trabalhando nesse momento é levar até o produtor tradicional as informações relevantes do setor da cana-de-açúcar, quais as potencialidades, os ganhos da produção da cana, para que o produtor possa escolher quais as culturas e onde pode obter um lucro maior.

Qual a reação da população com o crescimento da cultura canavieira na região?

Entendemos que os ciclos econômicos fazem parte da historia dos municípios, e a chegada de um novo ciclo pode num primeiro momento causar alguns desconfortos, que são normais. Com o passar do tempo, com a implementação de políticas de desenvolvimento para o setor, com as parcerias realizadas, com a implantação de ações voltadas para mercado e produção, os resultados começam a aparecer. Como é o caso da implantação do Projeto do Polo de Serviços do Setor sucroenergético de Dourados e Região que tem por objetivo a qualificação de empresas do setor metal mecânico para fornecimento às usinas da região.

Como surgiu e quais as metas deste Projeto?

Foi realizada uma pesquisa com as usinas da região e constatamos que 60% do que é comprado pelas grandes usinas são de fora do Estado, os serviços e produtos necessários para atender as reposições e manutenções ainda são feitas fora daqui. Vendo essa oportunidade de mercado, montamos um projeto com a finalidade de apoiar as empresas de Dourados para que possam ter qualidade e custos semelhantes as empresas de fora do Estado, e também captar novas empresas para apoiar o setor no município. A meta é qualificar 50 indústrias do setor metal mecânico de Dourados para que nos próximos meses possam ser futuros fornecedores das usinas. O grande objetivo é fomentar esse setor fazer com que nosso empresário possa obter um lucro maior nos seus negócios, empregando mais, gerando a economia local.

Quais ações vocês têm promovido para que o Projeto se concretize? E como está a receptividade do investidor?

A promoção de abertura de mercado como rodadas de negócios entre os empresários de Dourados e as usinas são ações contínuas realizadas, que já movimentaram mais de 15 milhões em negócios para o setor metal mecânico. A capacitação e qualificação também estão sendo realizadas para que o empresário possa se qualificar em gestão e custos, além da qualificação de mão de obra do setor. A próxima etapa é a certificação em ISO 9001 nos processos industriais das empresas do setor metal mecânico e a realização do 6º Canasul, em outubro de 2012.

O setor vive mais uma crise, isso tem atrapalhado o desenvolvimento do projeto? Essa inconstância assusta? O setor vive crise o tempo todo, conversando com alguns usineiros eles me disseram que não se lembram de ciclos sem crise, ou por falta de matéria-prima, ou por politicas públicas, ou por preços no mercado, enfim, vemos que o trabalho a ser realizado nas empresas colabora com o crescimento das mesmas, independente das crises do setor. Porque uma vez qualificadas elas podem fornecer para outros mercados, como a indústria de alimentos ou agrícola que também necessita desse tipo de serviço.

Fonte: Luciana Paiva

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