Lucrar com o ambiental não é pecado

Lucrar com o ambiental não é pecado
Lago e quiosque na RPPN da Usina Santo Antonio: 300 hectares de preservação

O mundo pode não saber, mas o setor sucroenergético tem muito a comemorar em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente: propicia ao Brasil o maior programa de combustível renovável do mundo, com o etanol de cana-de-açúcar, e ainda oferece muitos produtos ambientalmente corretos como a energia elétrica gerada por meio da biomassa e o plástico biodegradável.

Além de seus produtos verdes, o setor investe em tecnologias sustentáveis e se empenha em desenvolver práticas ambientais corretas. Quando se fala em ambiental, a primeira imagem que vem a cabeça das pessoas é composta por florestas e animais. Pois é, nesse quesito as unidades sucroenergéticas também aparecem bem no filme, a sociedade pode até ignorar, mas as usinas não plantam apenas cana, também cultivam milhões de mudas de plantas nativas e frutíferas, para o plantio em matas ciliares, áreas de nascente e reservar florestais em suas propriedades e de seus fornecedores de cana e também para doação à comunidade, deixando as ruas, parques e quintais mais verdes, bonitos e acolhedores para pássaros e pequenos animais.

Cada vez mais, as unidades sucroenergéticas investem em projetos que visam a sustentabilidade, onde o ambiental é uma das três pernas do tripé dessa economia verde, as outras duas são responsabilidade social e viabilidade econômica. Esses projetos não se resumem a implantar viveiros de mudas, replantá-las e cultivá-las para que se tornem florestas, eles inserem as pessoas nesse contexto. Elas serão os agentes da preservação ambiental, mas para isso, precisam ser motivadas por meio da geração de renda. Precisam saber que ao preservar terão a fibra para produzir artesanatos, colmeias para retirarem o mel, enfim, poderão ganhar dinheiro com as florestas.

Isso também acontece com as unidades sucroenergéticas, preservar é vital, mas a preservação será permanente e ampliada se a empresa puder lucrar com isso – seja por meio direto como o aumento de água nas nascentes, conservação do solo, menor custo com captação de água, ou indiretamente com a melhoria da imagem, conquista de selos, prêmios o que gera mais mercado para seus produtos e apoio da opinião pública. Não se trata de um pensamento capitalista, é apenas a realidade: sem lucro não há social e nem ambiental.

Corrigindo práticas antigas – a cana-de-açúcar é a primeira atividade econômica do Brasil, por isso, vícios antigos – hoje considerados não preservacionistas marcaram seu desenvolvimento. “Exigir do setor práticas ambientalmente responsáveis em curto prazo é uma postura difícil, afinal, o Brasil, desde a sua descoberta, a cultura é a de desmatar áreas para abrir novas frentes para produção e ganho de dinheiro”, comentou Cláudia Maranhão, gerente ambiental da Usina Santo Antônio, Alagoas, em sua participação no Encontro Cana substantivo feminino.

Em Alagoas, segundo Cláudia, a área ambiental realmente avançou a partir de 2000, graças a uma mulher chamada Alessandra Menezes que, atualmente, trabalha no IBAMA e revolucionou o conceito e as ações ambientais. “Até esse ano, as usinas de cana, etanol e energia eram vistas como potenciais poluidoras, fama negativa para o setor e de muitas críticas da sociedade”, contou Cláudia. Desde 2002, o Grupo Maranhão, com suas duas unidades – Açucareira São Antonio e Usina Camaragibe – desenvolve diversos projetos de gestão ambiental com a participação não só da empresa, mas também dos funcionários e da comunidade local.

A Usina Santo Antonio destinou 20% de sua área e implantou uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). São 300 hectares de área que estão registrados no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sendo que destes, 298 hectares são de Mata Atlântica. Já a Usina Camaragibe possui 1055 hectares de mata preservada, em 2003, foi criada a RPPN Serra D’Água, em uma área de 160 hectares. Na reserva florestal da Camaragibe existe uma área de recreação no meio da mata, com piscinas com água natural. Por ano, mais de cinco mil alunos das escolas da região visitam a reserva e participam de trabalhos educativos, de preservação e reflorestamento. Recebem aulas de conscientização ambiental ministradas por professores que integram a equipe ambiental do Grupo.

Na Usina Santo Antonio, a empresa mantém um viveiro de mudas de plantas nativas, utilizadas na recomposição e recuperação ambiental e da mata ciliar, onde mais de 80 espécies, como Ipê Rosa e Amarelo, Sapucaia e Visgueiro, foram plantadas, principalmente às margens dos rios. Desde 2002, já foram plantadas mais de 150 mil mudas, entre nativas e exóticas, e cerca de 190 hectares já foram recuperados, seja nas áreas da Usina ou circunvizinhas. É ali, próxima ao viveiro de mudas e bem pertinho dessa reserva da Santo Antonio que foi construído o Centro Ambiental, um espaço para a realização de atividades científicas, culturais, educacionais, recreativas e de lazer
Projetos sustentáveis – a empresa periodicamente recebe uma equipe de biólogos e botânicos que prestam assistência técnica e acompanham o andamento das atividades em preservação ambiental, para melhoria da qualidade do solo, água, ar, vegetação e fauna. Há também pesquisa para catalogar animais e plantas existentes na reserva. Uma dessas plantas é o cipó Titara, fino, escuro e espinhoso, é a matéria-prima para a produção de materiais para o lar e decoração. Uma arte em extinção, devido a dificuldade em se trabalhar com essa fibra.

Em São Luiz do Quitunde só existe uma família que se dedica a transformar o cipó titara em belos artigos para o lar, como mesas, cadeias, sofás, cestas, entre outras. Em uma tentativa de manter a arte viva, a Santo Antonio desenvolveu um projeto onde essa família de mestres no cipó titara produz peças artesanais e também ensina pessoas da comunidade a confeccionar o cipó e, com isso, gerar renda utilizando recursos da natureza, mas sem degradar o ambiente. Esse projeto beneficia a comunidade de São Luiz do Quitunde.

Outro projeto sustentável desenvolvido pelo Grupo acontece no povoado de Porto de Pedras com a Associação Sol Nascente, lá os artesãos fabricam com a palha de ouricuri, coqueiro e dendê artigos como suplá, jogos americanos, abajour, entre outros. As matérias-primas são retiradas pelos artesãos em áreas reflorestas pelas usinas do Grupo. Para estimular a produção e proporcionar trabalho e rend,a a usina leva os artesãos a participarem de feiras e eventos para exposição e comercialização das peças produzidas.

Cláudia contou que, hoje a visão dos diretores do Grupo é que a área ambiental virou parte do negócio, as certificações facilitam a comercialização dos produtos. “As usinas estão reconhecendo essa importância ambiental, inclusive no começo de março, a administração da Usina Santo Antônio solicitou a certificação ambiental para fornecer produtos, devidamente habilitados, para os EUA. É prazeroso colaborar dessa forma para a indústria e ver que não somos um setor que só gasta dinheiro”, disse.

A difusão do conceito de sustentabilidade entre as empresas – esse mesmo conceito sobre a importância ambiental adotado por muitos empresários do setor sucroenergético, é que Alessandra Bernuzzi Andrade trabalha para difundir em empresas e entidades. Alessandra é diretoria de Responsabilidade Ambiental da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e diretoria da Equipálcool, empresa de Sertãozinho, SP.

Em sua participação no Encontro Cana substantivo feminino, Alessandra explicou que promove ações para que o empresariado passe a ter uma visão estratégica sobre o tema, saber que o ambiental faz parte da nova economia baseada no desenvolvimento sustentável que promove o equilíbrio entre as boas práticas e a geração de negócios. “É preciso ver todos os vieses formadores da sustentabilidade, inclusive o econômico”, salienta.

Na Agrishow 2012, em Ribeirão Preto, Alessandra conseguiu dar um grande passo no sentido de fazer com que o grande evento técnico-comercial da Abimaq ganhasse uma roupagem ambientalmente correta. Colocou em prática a Agrishow Sustentável. Além de um pavilhão com a apresentação de tecnologias e produtos ligados a economia verde, promoveu também a descarbonização da feira. Toda emissão de carbono produzida durante os dias foi medida, e como ação compensatória foi realizado o plantio de mudas de árvores, pós-feira.

Fonte: Luciana Paiva

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