2022/23 será a safra da reconstrução
26-04-2022

“Safra de folhas e falhas” é a herança deixada pelas intempéries de 2021. Foto: Arquivo CanaOnline
“Safra de folhas e falhas” é a herança deixada pelas intempéries de 2021. Foto: Arquivo CanaOnline

Durante 1º Reunião Canaplan de 2022, usinas das mais diversas regiões falaram sobre suas expectativas para o novo ciclo

Leonardo Ruiz

Se há uma unanimidade entre os profissionais do setor sucroenergético do Centro-Sul do país é que a safra 2021/22 foi uma das piores da história. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) apontam para uma moagem final de 523,11 milhões de toneladas (mi/ton), encerrando o ciclo agrícola com retração de 13,60% frente a 2020/21.

É verdade que a área colhida na região sofreu uma leva retração de uma safra para outra, saindo de 8,6 milhões de hectares (mi/ha) para 8,2 mi/ha. No entanto, a queda na produção é consequência principalmente do veranico prolongado nas regiões produtoras, das geadas que atingiram mais de 10% da área de colheita e dos focos de incêndio no mês de setembro.

A produtividade agrícola, medida em toneladas de cana-de-açúcar por hectare (TCH) e que estava em franca recuperação desde 2018, também registrou queda, atingindo o pior patamar desde o início da década: 67,2 TCH. Apenas a safra 2011/12 teve um número parecido: 68,3 TCH. “É inacreditável. Esse é o volume que tínhamos décadas atrás, época em que acreditávamos que estaríamos facilmente na casa dos três dígitos na virada do século”, comentou o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa “Caio” Carvalho, durante a 1º Reunião Canaplan de 2022, realizada na última terça-feira (19) em Ribeirão Preto/SP.

Na visão do consultor associado da Canaplan, Nilceu Piffer Cardozo, o setor pode esperar uma recuperação para este ano, porém, com certos limites. “Nosso canavial tem potencial e o clima poderá jogar do nosso lado, mas não há chuva que vai fazer nascer cana nas falhas que temos por aí.”

Durante o evento da Canaplan, foi formada uma “mesa redonda” com a presença de profissionais de diversas usinas do Centro-Sul do país para debater as expectativas para a safra que começou no último dia 1º de abril. O primeiro a se pronunciar foi Edson Girondi, da Alto Alegre, detentora de quatro unidades agroindustriais, sendo três delas localizadas no Paraná e uma em São Paulo. Segundo ele, a safra 2021/22 foi bastante difícil no sul do país, com chuvas mal distribuídas e fortes geadas. “O estado do Paraná já chegou a produzir 46 mi/ton por safra. Ano passado, fechamos em 31 mi/ton. Para este ano, esperamos uma nova quebra, desta vez, de 15%. Diante desse cenário, a produção local não deve ultrapassar 26 mi/ton.”

Embora possua sua unidade Matriz localizada na região paulista de São José do Rio Preto, uma das mais castigadas pelas intempéries de 2021, a Nardini Agroindustrial está esperançosa com relação à safra 2022/23. Mesmo no cenário mais pessimista, a empresa deverá produzir 5% mais do que no último ciclo. Já o cenário mais favorável, que depende de um regime normal de chuvas, aponta para um aumento na produção que pode chegar a 10%. “Essa retomada na produtividade evidencia a importância de manter uma boa taxa de renovação, que foi o caso da Nardini no último ano”, salientou Jaime Stupielo.

Boas chuvas a partir de outubro/21 aliviaram um pouco os impactos das intempéries e destravaram os canaviais da Tereos

Foto: Divulgação Tereos

“Um filme de terror”. É assim que José Olavo Vendramini, Superintendente de Excelência Agronômica e Produtores de Cana da Tereos, caracterizou a safra passada. De acordo com ele, além das fortes geadas - algumas estações chegaram a marcar -6°C -, o regime hídrico registrado foi o pior da série histórica. “Saímos de uma excelente safra (2020/21) para essa. Dessa forma, estamos encarando este novo ciclo como o momento para a reconstrução. Já tivemos algumas boas chuvas a partir de outubro/21 que aliviaram um pouco os impactos e destravaram a cana. A cana planta também está muito boa. Agora, resta saber como serão os próximos meses.”

Fonte: CanaOnline