A sabedoria do campo e o florescimento humano

A gestão também é uma prática educativa, se partirmos do princípio de que somos seres incompletos, sempre em busca de novos conhecimentos

*Sandra Schiavetto, pedagoga, psicopedagoga, master coach e sócia da Multi Training, empresa especializada em Liderança e Cultura Organizacional

Hoje escolhi a reflexão sobre o aprendizado que a agricultura oferece ao homem, bem como a capacidade de aprender o que o homem dela recebe. Li brevemente uma citação do engenheiro agrônomo Dirceu Gassen, que faz muito sentido. Ele cita que no passado, a lógica da agricultura era: “Meu filho, se você não estudar, vai ficar na roça”. Hoje, continua ele, com tanta tecnologia embarcada nas máquinas, o conceito é: “Meu filho, se você quiser ficar na roça, vá estudar”.

No meu exercício de educadora as palavras de Dirceu Gassen resgatam a condição humana em seu permanente estado e necessidade de unir a terra e o saber, pois ambos são recursos atemporais para o florescimento humano. Na educação e no campo não há exclusão, mas complementariedade. Há culturas, palavra plural no comportamento vegetal e humano.

A gestão também é uma prática educativa, se partirmos do princípio de que somos seres incompletos, sempre em busca de novos conhecimentos, sejam eles técnicos, práticos ou por meio das pessoas que convivemos, trabalhamos, negociamos ou que por um motivo ou outro, talvez não tão bem claro o motivo, passam por nosso caminho e deixam uma semente. A semente pode ser vegetal ou também ganhar um significado figurado, ou seja, uma palavra, ideia, impulso, encorajamento, elogio e até mesmo um posicionamento sincero sobre a rota em que a pressa sempre abranda ou cega os caminhos ou decisões que nem sempre temos muita coragem para rever a travessia.

Um dia desses fui presenteada com uma semente de girassol. Fiquei feliz porque ela veio do coração de uma criança, oferta estimulada por sua mãe, já habituada com a natureza das colheitas. Por ser apenas uma, aparentemente frágil e pequena, dei a ela e a mim a oportunidade de uma tentativa. Será que nasce mesmo? Não sabia, venho eu do mundo que não sabe bem essas coisas, minha herança é sobre o estudo do comportamento humano, mas a possibilidade do florescimento nos uniu em atitude, entrega e esperança. Não seria este afinal o papel da diversidade entre nós e as especificidades de servir para a evolução da sociedade em seus diferentes setores de produção e geração de valor, no sentido mais amplo da palavra?

Aos ver o primeiro broto surgir, ainda tímido ele e tímida eu, fomos vivendo juntos o tempo da espera, desejosa e não imperiosa. Toda mudança deveria acontecer de forma respeitosa, pois não há inteligência em exigir do outro aquilo que ainda não permitimos ver nascer em nós. É um alerta para o aperfeiçoamento como indivíduos e cidadãos. Ter competência para atuar com segurança. Ter humildade para aprender. Ter compreensão para escutar, ter afeto para doar sem a obrigatoriedade do retorno idealizado. Ter autoridade para se fazer respeitar com democracia a personalidade que habita o outro.

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