Açúcar está no 'valor justo' e aperto global deve manter preços estabilizados, diz Citi
24-01-2024

A expectativa do Citi Research é de que o Brasil produza um novo recorde de açúcar na próxima safra, de 42,3 milhões de toneladas — Foto: Freepik
A expectativa do Citi Research é de que o Brasil produza um novo recorde de açúcar na próxima safra, de 42,3 milhões de toneladas — Foto: Freepik

Estrategista do banco não vê possibilidade das cotações subirem mais de 10% nos próximos seis meses

Por Camila Souza Ramos — São Paulo

Os preços do açúcar devem continuar flutuando na faixa entre 22 centavos e 25 centavos de dólar a libra-peso ao longo deste ano, dado o aperto no fluxo global de comércio da commodity, indicou Aakash Doshi, estrategista sênior de commodities do Citi Research, em conversa com analistas do banco nesta tarde.

Ele acredita que as cotações do adoçante estão atualmente em seu “valor justo” e podem subir mais 10% nos próximos seis meses. Acima disso, porém, ele não vê possibilidade. “Não vamos testar os 30 centavos [de dólar a libra-peso], não vamos subir mais”, disse. Já o piso dos contratos futuros é estimado em 20 centavos de dólar a libra-peso, disse.

Já para 2025, a expectativa do analista é de um aumento na pressão baixista, levando a faixa de preços a ficar entre 19 centavos e 21 centavos de dólar a libra-peso.

Doshi ressaltou que o mercado vem de “déficits” de oferta cumulativos nos últimos anos, e que a produção dos países da Ásia está com forte redução, apesar do recorde de fabricação do Brasil.

A expectativa do Citi Research é de que o Brasil produza um novo recorde na próxima safra, de 42,3 milhões de toneladas. Com isso, o país deve ter nova pressão fortemente exportadora.

“O Brasil provavelmente vai exportar 4 milhões de toneladas por mês. Pode ter risco de atrasos logísticos e problemas no mercado físico”, disse o estrategista, que acredita que dificuldades nesse front podem trazer algum suporte para os preços.

No entanto, a Índia deve seguir sem ofertar açúcar para o mercado internacional, já que o país mudou sua política para reduzir a produção de etanol e favorecer a de açúcar, além de ter impedido as exportações para controlar a inflação, em meio a um ano eleitoral.

Para o próximo ano, passadas as eleições, Doshi acredita que o governo indiano volte a liberar as exportações, mas ele não aposta em um retorno aos volumes registrados dois anos atrás, que chegaram a 8 milhões de toneladas embarcadas. “Deve voltar para 3 [milhões] a 4 milhões de toneladas”, disse.

Fonte: Globo Rural