Açúcar fecha dezembro a 15,01 centavos de dólar por libra em NY, enquanto etanol sobe mesmo com petróleo em queda
20-01-2026

Mercado acompanha Brasil, Índia e Tailândia, e paridade com a gasolina segue no centro das decisões

Por Andréia Vital

O mercado internacional de açúcar encerrou dezembro com preços relativamente estáveis, apesar de notícias mistas sobre a produção global. Segundo o Agro Mensal do Itaú BBA de janeiro de 2026, o contrato do açúcar bruto nº 11 em Nova York recuou 1,3% no mês, encerrando a USD 15,01 centavos por libra. No acumulado de 2025, a commodity registrou queda de 22%.

No mercado doméstico, o indicador CEPEA para o açúcar cristal em Ribeirão Preto acumulou desvalorização de 32% em 2025, refletindo tanto a queda das cotações internacionais quanto a valorização cambial. Na Europa, a produção surpreendeu positivamente apesar da redução de 8% na área de beterraba. A produtividade elevada levou o banco a revisar a estimativa de produção da UE27 mais Reino Unido para 16,6 milhões de toneladas, queda de apenas 3,6% em relação à safra anterior.

No Nordeste brasileiro, a safra 2025/26 segue pressionada. Até 15 de dezembro, a região havia moído 36,6 milhões de toneladas de cana, volume 8,5% inferior ao do ano anterior. A produção de açúcar somou 1,95 milhão de toneladas, queda de 22%, com mix açucareiro de 43%, abaixo dos 48% observados um ano antes. Diante desse cenário, o banco reduziu a estimativa de produção regional para 3,2 milhões de toneladas.

No mercado de etanol, os preços avançaram mesmo com a queda do petróleo. Conforme o relatório, a entressafra da cana mantém a oferta restrita, enquanto o aumento do ICMS da gasolina C, de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro, ampliou a competitividade do biocombustível. Esse reajuste abre espaço para uma elevação potencial de cerca de R$ 0,07 por litro no etanol na bomba.

Segundo o banco, a gasolina internacional convertida em reais estava em R$ 2,53 por litro em 9 de janeiro, abaixo dos R$ 2,73 praticados pela Petrobras em Paulínia, o que indica risco de ajuste nos preços domésticos. Ainda assim, o balanço de oferta e demanda do etanol segue apertado, sustentando a tendência de alta até o início da próxima safra.