Adubos representaram 34% do mercado de insumos na safra 2022/23, diz estudo
22-02-2024

Pesquisa inédita analisou as culturas de soja, milho safrinha, cana-de-açúcar, café e algodão

Por Nícolas Damazio* — São Paulo

Cinco das principais culturas do agronegócio brasileiro acumularam R$ 140 bilhões em produtos para nutrição das plantas na safra 2022/23. É o que revela o estudo inédito FarmKTrak, desenvolvido pela consultoria Kynetec Brasil. Foram mapeeadas as produções de algodãocana-de-açúcarmilho safrinha, café e soja. A quantia representa 34% do total movimentados no mercado de insumos no Brasil, estimado em R$ 416 bilhões.

A soja, maior cultura agrícola brasileira, também representou a maior fatia em investimentos em nutrição, somaram R$ 81 bilhões, 58% do total, seguida por milho safrinha, com R$ 25 bilhões (18%), cana-de-açúcar, com R$ 18 bilhões (13%), café, com R$ 9 bilhões (7%) e algodão, com R$ 5 bilhões (4%).

 


Foto: Kynetec Brasil

De acordo com a especialista em pesquisas da Kynetec Brasil, Raquel Ribeiro, dentre as categorias analisadas, adubação de base/cobertura equivale à 84% do mercado, ou R$ 117 bilhões. “Trata-se do manejo que concentra a principal fonte de nutrientes dos cultivos. Os volumes utilizados nesta operação são bastante elevados, embora o resultado também esteja relacionado à dependência do Brasil quanto a fertilizantes importados, atrelados a flutuações de preços e taxas de câmbio”, explica.

Em seguida, figuram os subsegmentos de corretivos, com 8% (R$ 11 bilhões) e adubação foliar com 4% (R$ 5 bilhões), signicativamente abaixo da categoria líder. “Nutrição foliar é utilizada como um complemento ao processo de adubação pelo solo, pois permite corrigir carências nutricionais”, diz a especialista. Ela chama atenção, ainda, para os bioestimulantes, que representam 1% do mercado (R$ 1,8 bilhão).

Ribeiro ressaltou o avanço, safra a safra, dos bioestimulantes que, segundo ela, são soluções que permitem melhor desenvolvimento dos cultivos e têm se destacado no mercado de nutrição de plantas.

No ciclo 2022/23, 63% (R$ 1,1 bilhão) dos produtos do gênero vendidos no país se destinaram à soja, acompanhada por cana-de-açúcar, 16% (R$ 285 milhões), milho safrinha, 12% (R$ 218 milhões), café, 6% (R$ 107 milhões) e algodão, 3% (R$ 60 milhões). “Na sojicultura cultura, pelo menos 41% da área receberam tratamentos com bioestimulantes”, acrescentou.

De acordo com a executiva, produtores aderem progressivamente à bioestimulação para tentar elevar a qualidade da germinação e do metabolismo de plantas, além de melhorar a absorção e a eficiência de nutrientes e mitigar entraves climáticos.

“Temperaturas altas e restrições hídricas da safra em andamento (2023-24) devem novamente tracionar o desempenho dos bioestimulantes”, salientou.

*Sob supervisão de Isadora Camargo

 Fonte: Globo Rural