Alta do diesel eleva custos no agro e pressiona margens
15-04-2026
Reajustes de até R$ 2,04 por litro impactam produção e frete no Brasil
Andréia Vital
A alta do diesel no Brasil já pressiona os custos do agronegócio e começa a afetar a formação de preços ao produtor, segundo relatório do Rabobank divulgado nesta semana. O movimento reflete a volatilidade do mercado internacional de petróleo, agravada por tensões no Oriente Médio, com efeitos diretos sobre uma economia que importa entre 25% e 30% do consumo anual do combustível.
O aumento recente incluiu reajuste de R$ 0,38 por litro nas refinarias da Petrobras em 14 de março, o primeiro desde maio de 2025, além de medidas governamentais para conter a escalada, como suspensão de PIS Cofins de R$ 0,32 por litro e subvenções também de R$ 0,32 por litro. Propostas adicionais preveem subsídios de até R$ 1,20 por litro para importadores e R$ 0,80 por litro para produtores domésticos.
Nas bombas, o impacto foi heterogêneo entre os estados. Entre janeiro e março de 2026, a Bahia registrou a maior alta, de R$ 2,04 por litro, seguida por Tocantins, Paraná, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Já Amapá, Espírito Santo, Acre, Roraima e Ceará tiveram elevações de até R$ 1,00 por litro.
O encarecimento do combustível tem efeito direto sobre os custos agrícolas. A cada aumento de R$ 1,00 por litro, o custo por hectare sobe R$ 40 no milho safrinha, R$ 47 na soja e R$ 198 na cana-de-açúcar, considerando consumo de 40, 47 e 198 litros por hectare, respectivamente. Em termos de produtividade, isso representa acréscimos de R$ 5,56 por tonelada de milho, R$ 13,06 por tonelada de soja e R$ 2,47 por tonelada de cana.
No caso da cana-de-açúcar, o transporte até a usina adiciona cerca de R$ 1,00 por tonelada, considerando carga de 60 toneladas e distância de 25 km, o equivalente a aproximadamente R$ 80 por hectare.
O impacto se amplia na logística. Um aumento de R$ 1,00 por litro no diesel eleva o custo de transporte rodoviário em rotas relevantes. No trajeto de Rondonópolis MT a Santos SP, com 1.385 km, o acréscimo chega a R$ 55 por tonelada. Entre Cascavel PR e Paranaguá PR, com 590 km, o aumento é de R$ 24 por tonelada. Já no transporte de açúcar de Ribeirão Preto SP a Santos SP, em 391 km, o custo adicional é de R$ 16 por tonelada.
Como o preço recebido pelo produtor é influenciado pelo valor internacional descontado dos custos logísticos, o encarecimento do frete reduz a remuneração na origem. O efeito tende a ser mais sensível em cadeias exportadoras, nas quais o transporte até o porto representa parcela relevante da formação de preços.
O Rabobank avalia que a pressão pode persistir ao longo de 2026, diante das incertezas geopolíticas e da volatilidade do petróleo. Mesmo com medidas governamentais, o comportamento dos preços domésticos dependerá da trajetória internacional e do câmbio, mantendo o cenário de margens mais apertadas no agro.

