Avanço de biocombustíveis derruba embarques de óleo de soja dos EUA
14-09-2021

Exportações americanas são as menores desde 1997; quadro evidencia mais uma vez disputa entre indústrias de alimentos e energia por matéria-prima

As exportações de óleo de soja dos Estados Unidos despencaram para o nível mais baixo em 24 anos, um reflexo direto do aumento da presença da indústria americana de combustíveis fósseis na produção de biocombustíveis. O volume de embarques nos primeiros sete meses do ano foi o menor desde 1997, segundo dados que o governo dos EUA divulgou nesta semana.

Gigantes como a Exxon Mobil têm buscado aproveitar incentivos para a produção de combustíveis de baixo carbono oferecidos na Califórnia, no Noroeste do Pacífico e no Canadá. Isso aumenta a concorrência pelo óleo de soja, o que torna mais competitivas as vendas ao mercado interno da commodity, tradicionalmente usada como óleo de cozinha. “A valorização atual do óleo de soja é completamente diferente do que teria sido no ano passado ou há dois anos”, diz Michael Swanson, economista-chefe agrícola do Wells Fargo.

O interesse pelo mercado de combustíveis de baixas emissões não deve diminuir tão cedo: os planos de investimento em ampliação da capacidade de esmagamento de soja na América do Norte somam de US$ 2 bilhões, uma expansão sem precedentes. Segundo o Rabobank, isso estimula uma “alta consistente da demanda” para produtores de sementes oleaginosas.

O mercado deve conseguir absorver o aumento da oferta, mas as exportações de soja da América do Norte vão cair, afirma o banco. Neste ano, diminuíram as vendas americanas de óleo de soja à maioria de seus compradores no exterior: a Coreia do Sul importou 28% menos, e as vendas para a República Dominicana e México caíram mais de 50% nos primeiros sete meses de 2021 em comparação com o ano anterior, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Processadoras americanas costumavam esmagar soja para produzir farelo destinado à ração de aves e suínos, mas agora estão priorizando o óleo. Isso gera um acúmulo de farelo de soja e evidencia, mais uma vez, a disputa que há entre a produção de alimentos e a de combustíveis - a exemplo da que surgiu há uma década, quando a indústria do etanol à base de milho começou a se expandir no país.

Com a demanda por óleo de soja em alta, os futuros da commodity valorizaram-se em cerca de 70% nos últimos 12 meses. Esse quadro também atinge redes de fast-food, que estão precisando gastar mais para comprar alguns ingredientes importantes. Em junho, a controladora das redes Burger King e Popeye's disse que os preços de itens básicos, como maionese, subiram muito.

Fonte: Valor Econômico