Biodiesel poderá consumir metade da soja do país em 2022

A indústria nacional de biodiesel poderá consumir 50 milhões de toneladas de soja a partir de 2022.

Se confirmada essa estimativa, o setor utilizará metade da soja a ser produzida no país naquele ano, tomando como base estimativas de produção de 100 milhões de toneladas para o período.

A estimativa de consumo de soja para biodiesel é de Julio Cesar Minelli, diretor-superintendente da Aprobio (Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil), e considera um aumento contínuo do percentual da mistura de biodiesel ao diesel. Atualmente em 7%, a mistura teria de subir para 15% em 2022.

É claro que essa meta só será atingida com investimentos, e estes só ocorrerão com um marco regulatório que coloque horizontes para o setor.

"As decisões sobre o setor estão nas mãos do governo, e planejamento e transparência são fundamentais para esse crescimento", diz Minelli.

Na avaliação da Aprobio, serão necessárias 68 novas usinas de biodiesel até 2025, com capacidade de 150 milhões de litros cada. O investimento atingirá R$ 4,1 bilhões em usinas de biodiesel e R$ 6,1 bilhões em unidades de processamento da oleaginosa.


Crise

A produção nacional de biodiesel estava prevista em 4,3 bilhões de litros neste ano, mas, devido à desaceleração da economia, Minelli diz que o setor reduziu essa estimativa para 4 bilhões.

O setor tem 59 empresas com autorização de comercialização pela ANP (Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis), mas continua com um alto índice de capacidade ociosa, devendo fechar 2015 com 43%.

Se a perspectiva de produção interna é de elevação no longo prazo, o mercado externo é pouco atrativo, apesar de o setor ser composto por tradings como ADM, Cargill e Bunge.

A falta de estímulo deve-se às tarifas de exportação do governo -que privilegiam a venda externa de grãos e oneram a de biodiesel.


Agricultura familiar

Lançado como parte de um programa de governo para a agricultura familiar, 87,3 mil produtores participaram desse projeto em 2013 e receberam R$ 2,85 bilhões pela venda da matéria-prima para a produção de biodiesel.

Neste ano, esse valor pode ir a R$ 4 bilhões, o que representa mais que o dobro do R$ 1,63 bilhão disponibilizado na safra 2014/15 para novos assentados da reforma agrária, segundo a Aprobio.

A demanda pela matéria-prima é assegurada pelo selo combustível social, exigido para pelo menos 80% das vendas de biodiesel nos leilões da ANP.

Para a obtenção do selo, as usinas precisam comprar um percentual mínimo de matéria-prima de agricultores familiares. Essa fatia varia de acordo com o Estado. No Rio Grande do Sul, líder em produção no país, a exigência é de 40%. Nos Estados do Centro-Oeste, é de 15%.

Além da soja, os agricultores familiares vendem canola, algodão e girassol para a produção de biodiesel. Pelo menos 75% do biodiesel vem da soja.

*Texto publicado na coluna Vaivém das Cmmodities.

Mauro Zafalon com Tatiana Freitas