BP adequa estratégia agronômica após crise climática impactar resultados
26-02-2026
Executiva detalha ajustes no manejo durante o BioShow em Ribeirão Preto SP
Por Andréia Vital
Pressionada pelo cenário de mercado e pelos efeitos da crise climática sobre produtividade e custos, a BP Bioenergy revisou sua estratégia agronômica e reforçou protocolos técnicos no uso de bioinsumos na cana-de-açúcar. Segundo Hayra Reis, gerente Corporativo de Desenvolvimento Agronômico da companhia, o movimento foi resultado de uma análise mais ampla do desempenho agronômico diante do ambiente desafiador, o que levou o grupo a aprofundar o entendimento sobre manejo e eficiência operacional.
“A gente entendeu que não basta ampliar o uso de biológicos. Se eu não controlo compatibilidade, temperatura e armazenamento, eu perco eficiência antes mesmo de o produto chegar ao campo”, afirmou.
A engenheira agrônoma apresentou os ajustes durante o BioShow, promovido pelo Grupo IDEA nesta quarta-feira (25), no Hotel Mont Blanc, em Ribeirão Preto- SP. O encontro reuniu produtores e empresas do setor sucroenergético para discutir manejo biológico, produtividade e eficiência operacional.
De acordo com Hayra, todo o portfólio biológico passou a ser validado em laboratório, com testes de compatibilidade e viabilidade após 6, 24 e 48 horas de mistura, além de avaliações em diferentes faixas de temperatura. Na unidade de Pedro Afonso, no Tocantins, foram registrados picos de até 40 graus no sistema de aplicação, o que levou à análise da estabilidade dos produtos em temperatura ambiente, 32, 37 e 40 graus.
A BP opera em cinco Estados, com 11 unidades agroindustriais distribuídas em três regionais, e soma cerca de 250 mil hectares entre safra e plantio.
No campo, a estratégia combina aporte de matéria orgânica, correção de solo e ajuste nutricional. A meta de plantio com composto neste ciclo é de 46 mil hectares, com 84 por cento já executados. O material utiliza torta de filtro, cinza e esterco, enriquecido com Fonolito, Dunito e Ulexita. A companhia retomou a aplicação de fósforo solúvel no sulco com MAP para assegurar melhor arranque da cultura.
No manejo da vinhaça localizada, o pacote contempla 50% da demanda de nitrogênio, além de fósforo, enxofre, boro e zinco, associado a Bacillus subtilis, Bacillus licheniformis, Bacillus aryabhattai, Bacillus megaterium, Beauveria bassiana e Metarhizium. No ciclo anterior, 92% da área prevista foi atendida, com meta de se aproximar de 100 por cento nesta safra.
O alvo de fósforo no solo foi elevado para 25 ppm, e a saturação por bases no preparo busca atingir 90%. Na soqueira, o corretivo passou a ser aplicado em 100 por cento da área, com perspectiva de avanço para taxa variável.
Na proteção de plantas, a companhia revisou protocolos e ajustou a estratégia de controle de pragas e doenças com base em critérios técnicos e econômicos. Para cigarrinha, a recomendação combina químico e biológico. Em doenças como síndrome da murcha e ferrugens, a aplicação de biofungicidas ocorre via palhada no pós-colheita e em sequências foliares.
“Bioinsumo é ativo vivo. O sucesso não depende só da carga microbiana, mas da assertividade da aplicação e das condições de ambiente. Nosso foco agora é simplificar o manejo para ganhar escala com segurança técnica e econômica”, disse.
Segundo a gerente, solubilizadores de fósforo permanecem como ferramenta complementar, enquanto a fixação biológica de nitrogênio ainda exige suplementação mineral para assegurar teto produtivo.
“Enxergamos a agricultura regenerativa como um esforço estruturado para ampliar a resiliência do sistema produtivo. Os aprendizados dos últimos três anos mostram que precisamos avançar no fortalecimento do canavial, com foco na formação de raízes e no ajuste de variedades às novas condições climáticas, para suportar eventos extremos que estão cada vez mais frequentes”, concluiu.

