Brasil deve ficar alerta com a nova realidade econômica chinesa
17-06-2016
A China está em primeiro lugar no ranking dos principais destinos dos produtos agropecuários brasileiros
A China é uma grande parceira comercial do Brasil, principalmente quando se fala no agronegócio. A China está em primeiro lugar no ranking dos principais destinos dos produtos agropecuários brasileiros. Em 2015, 24% do valor gerado com as exportações do agronegócio vieram da China, segundo o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em alguns segmentos, a China realiza compras expressivas, como, por exemplo, a soja em que 71% do valor gerado pelas exportações brasileiras é proveniente da China. Assim, é importante ter em mente como o agronegócio brasileiro pode ser impactado pelas mudanças chinesas, a fim de se preparar para os desafios que virão e para as oportunidades que podem surgir.
No curto prazo, o agronegócio brasileiro deve se preparar para a volatilidade de preços no mercado financeiro. A alta especulação e a redução do consumo de commodities não agrícolas pela China, a exemplo do petróleo e dos minerais, devem gerar instabilidades nas bolsas internacionais e nos mercados futuros. No começo de 2015, em diversos momentos, algumas commodities agrícolas, como no caso do açúcar, apresentaram quedas momentâneas em decorrência das especulações provenientes da China.
Mas no longo prazo, o agronegócio brasileiro não deve ser impactado negativamente. Com o estímulo do consumo, a China vai continuar demandado produtos alimentícios em grande quantidade e ainda estar aberta para o consumo de produtos de maior valor agregado, como carnes, leite e derivados e até produtos mais específicos como os alimentos ready-to-eat (prontos para o consumo).
O consumo de grãos também acaba sendo estimulado. Apesar do menor valor agregado, os grãos são matérias-primas para a produção de ração, um setor que deve crescer, acompanhando o aumento na demanda de proteína animal. No entanto, a produção de grãos na China não deve aumentar para atender o maior consumo. O governo chinês, anteriormente, buscava uma autossuficiência, um aumento de produção para poder atender o seu mercado interno. Mas, essa visão mudou e, atualmente, a percepção é de que a autossuficiência está cada vez mais distante. O foco passou a ser em culturas intensivas em mão de obra e que possuem maior valor agregado, como frutas e vegetais, em detrimento do plantio de lavouras que demandam muita área e possuem menor valor, como os grãos.
Portanto, no caso dos grãos, a China possivelmente deve abrir ainda mais o mercado e fazer investimentos em outros países para garantir o abastecimento local. Isso é uma grande oportunidade para o Brasil que pode aumentar os volumes exportados para a China, fazer novos acordos e estabelecer novos modelos de negócios com o país.
Veja matéria completa na editoria Tendências na edição 33 da revista Digital CanaOnline. No site www.canaonline.com.br você pode visualizar as edições da revista ou baixar grátis o pdf.
Mas se quiser ver a edição com muito mais interatividade ou tê-la à disposição no celular, baixe GRÁTIS o aplicativo CanaOnline para tablets e smartphones - Android ou IOS.

