CMAA encerra 3T da safra 2025/26 com moagem 10% menor e Ebitda de R$ 1,046 bilhão
20-02-2026

Queda na produção de cana impacta receita e lucro, enquanto preços do etanol e gestão de risco sustentam margens no período

Por Andréia Vital

A Companhia Mineira de Açúcar e Álcool encerrou o terceiro trimestre da safra 2025/26 com moagem acumulada de 8,267 milhões de toneladas de cana, retração de 10% frente ao mesmo período do ciclo anterior. O desempenho reflete os impactos climáticos registrados ao longo do ano, que reduziram principalmente a oferta de cana de fornecedores.

No acumulado dos nove primeiros meses da safra, a produção de açúcar somou 682 mil toneladas, queda de 1,7%, enquanto o etanol totalizou 265 mil metros cúbicos, recuo de 27%. Segundo a companhia, a estratégia industrial priorizou o açúcar, que apresentou melhor remuneração ao longo da maior parte da moagem. O mix ficou em 64% para açúcar e 36% para etanol, superior ao observado na temporada anterior.

A receita líquida atingiu R$ 2,115 bilhões no período, redução de 13% em relação ao ano anterior. As despesas operacionais recuaram 5%, para R$ 209 milhões. O Ebitda somou R$ 1,046 bilhão, queda de 10%, com margem de 49,4%, levemente acima dos 48,1% registrados um ano antes.

No resultado final, a companhia apurou prejuízo contábil de R$ 75 milhões, ante lucro de R$ 116 milhões no ciclo anterior. A administração destacou que parte relevante do resultado decorre de efeitos do IFRS16, norma contábil sem impacto caixa, relacionada à marcação a valor presente do ativo biológico.

No campo, o ATR recuou 3% e o TCH apresentou queda de 16%, evidenciando que o maior impacto ocorreu no volume de cana por hectare. A unidade Vale do Pontal ampliou a moagem para 2,6 milhões de toneladas, beneficiada por investimentos em irrigação, enquanto Vale do Tijuco concentrou a maior retração.

No mercado, a companhia observou recuperação dos preços do etanol ao longo da safra, sustentada pela menor oferta no Centro Sul e demanda resiliente, mesmo com paridade acima de 70% em relação à gasolina. Já o açúcar registrou trajetória de queda na bolsa de Nova York, com impacto adicional da variação cambial. Parte relevante da produção estava fixada previamente, o que atenuou a exposição à volatilidade.

A exportação de energia elétrica somou 365 mil MWh, recuo de 4%, influenciado pelo maior consumo interno decorrente da expansão dos sistemas de irrigação.

Os investimentos totalizaram R$ 547 milhões nos nove meses, direcionados a ampliação industrial, renovação de frota agrícola, formação de canavial e expansão da irrigação, projeto que avança cerca de 2 mil hectares por ano.

A dívida bruta atingiu R$ 2,2 bilhões em 31 de dezembro, ante R$ 1,6 bilhão no início do ciclo. Segundo a companhia, 93% do endividamento está no longo prazo, com duration médio de 4,5 anos. O caixa somava R$ 474 milhões, frente a R$ 199 milhões de dívida de curto prazo.

Na agenda ESG, a CMAA informou a geração de 49 mil CBios no trimestre, equivalentes à mitigação de 49 mil toneladas de CO2. A companhia também manteve a certificação Bonsucro nas três unidades e avançou em projetos sociais e de infraestrutura nas regiões de atuação, incluindo pavimentação de acessos industriais.

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