Colheita tardia de cana no Brasil pode reduzir perdas da safra
20-05-2021
Os mercados analisam as perspectivas para o Brasil, o maior exportador de açúcar, para saber se o equilíbrio global da commodity resultará em déficit após a queda causada por safras fracas na Ásia
Marvin G. Perez, da Bloomberg
A decisão das usinas brasileiras de atrasar a colheita de cana-de-açúcar pode acabar reduzindo as perdas da safra, depois que as plantações conseguiram se desenvolver após o impacto da seca.
Essa é a análise de Plinio Nastari, presidente da Datagro, que prevê uma queda menor da produção na região Centro-Sul do que outros analistas, como da BP-Bunge, Tropical Research Services e Itaú BBA, além da trading Wilmar International.
Os mercados analisam as perspectivas para o Brasil, o maior exportador de açúcar, para saber se o equilíbrio global da commodity resultará em déficit após a queda causada por safras fracas na Ásia. O açúcar acumula alta de quase 60% no último ano, proporcionando preços quase recordes para produtores brasileiros com sinais de que a demanda se manteve forte na pandemia e a preocupação crescente de que a estiagem no país reduzirá a oferta.
Embora a seca em abril tenha atrasado o desenvolvimento dos canaviais, as chuvas abundantes em março amenizaram o impacto. Combinado com a estratégia das usinas de atrasar a moagem, isso terá efeito compensatório no desenvolvimento e produtividade, disse Nastari. Até o fim de abril, 199 usinas processavam a matéria-prima em comparação com 217 no mesmo período do ano passado, e outras 30 devem começar na primeira quinzena de maio, segundo dados da Unica.
A produção de açúcar no Centro-Sul pode cair 7,8% em 2021-2022 em relação à temporada anterior, para 36,3 milhões de toneladas. A moagem de cana pode encolher 5,3%, para 572 milhões de toneladas, disse Nastari antes de apresentar os números durante uma conferência anual do setor coorganizada virtualmente neste ano com a Organização Internacional do Açúcar.
Do portal: Exame

