Combustível e gás de cozinha têm novo aumento de preço na Grande BH
14-09-2021

O preço médio da gasolina subiu 34% de janeiro até setembro de 2021(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
O preço médio da gasolina subiu 34% de janeiro até setembro de 2021(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

Segundo levantamento do Mercado Mineiro, entre agosto e setembro preço da gasolina teve um aumento de 5,28%; botijão de gás 13kg já custa R$ 106,42 em BH

Nathalia Galvani*

O preço dos combustíveis vem registrando reajustes inéditos desde o início do ano. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo levantamento feito pelo site de pesquisas Mercado Mineiro, em apenas um mês, o valor médio da gasolina comum subiu de R$ 5,918 para R$ 6,230, ou seja, um aumento de 5,28%. Impulsionados pela inflação, o mesmo acontece com o gás de cozinha, que registrou até o momento uma elevação de 25,48% no preço do botijão de 13kg, tornando o produto de primeira necessidade inviável para grande parte dos consumidores de baixa renda.

Até o momento, todos os meses de 2021 registraram um encarecimento nos valores cobrados nas bombas dos postos da Grande BH. O custo médio do litro da gasolina, por exemplo, era de R$4,649 em janeiro, e agora, já é vendido a R$6,230, um aumento de 34%. Quem sofre diretamente com essa alta são os motoristas, principalmente aqueles que dependem do recurso para exercer sua profissão.

“O momento não é mais de indignação para os consumidores, eles estão revoltados e sem dinheiro. Não vale mais a pena pesquisar preço de combustível em Belo Horizonte, seja para a gasolina, etanol ou diesel. A diferença em 145 postos é muito pequena. Por exemplo, pode ter uma variação de R$0,50 na gasolina, mas vai eles vão ter que buscar em lugar enquanto já queimam combustível. A melhor resposta agora será utilizar o mínimo possível do carro para quem tem essa opção”, disse o diretor do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu.

De acordo com a última pesquisa da entidade, realizada em 145 estabelecimentos, entre os dias 8 e 10 de setembro, a gasolina encareceu 2,13% somente em 20 dias. O menor preço encontrado foi de R$ 6,075, na Região Noroeste, e o maior de R$ 6,529, na Região Centro-Sul de BH, variando 7,47%. 

Segundo Feliciano, não se pode afirmar que os atos de 7 de Setembro, que provocaram o bloqueio de rodovias de Minas e outros 14 estados do país, por caminhoneiros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), influenciaram nesta elevação. Os protestos ocorreram até a última sexta-feira (10/9). 

“Tiveram aumentos durante o feriado. Agora, não podemos dizer que foi em função das manifestações, porque são duas coisas diferentes. Cada posto é um jeito, alguns pulam um aumento ou seguram (os reajustes feitos pela Petrobras). Então, alguns foram feitos ao longo desses dias”, afirmou o responsável pela pesquisa.

No caso do etanol, o menor preço encontrado entre os postos pesquisados foi de R$4,575, em Betim, e o maior de R$ 4,999, na Região Centro-Sul da capital mineira, com uma variação de 9,27%. Na comparação realizada entre os preços médios de agosto, foi apontado que o custo subiu 9.74% somente entre o intervalo para este mês. O valor que era cerca de R$ 4,319 passou a ser de R$ 4,740. 

Desde janeiro, o etanol teve um aumento de 47,52% na Grande BH, subindo de R$ 3,213 para R$ 4,740. 

Os motoristas que optam pelo diesel também estão tendo que pagar ainda mais para encher o tanque. Segundo o levantamento do Mercado Mineiro, em agosto o litro do insumo custava em média  R$ 4,69 e passou para R$ 4,81 até o momento, uma elevação de 2,61%. 

O menor preço do litro do diesel foi encontrado por R$4,595, na Região Noroeste de Belo Horizonte, e o maior R$ 5,159, na Região Oeste, uma variação de 12,27%. 

O valor médio do diesel s10 subiu 25% desde janeiro, saindo de R$ 3,846 para R$ 4,814. 

Gás de cozinha

Outro derivado do petróleo que sofre com o aumento de preço é o gás de cozinha. Segundo levantamento feito Mercado Mineiro em 102 estabelecimentos da Região Metropolitana de Belo Horizonte, o botijão de 13kg, que custava em janeiro cerca de R$ 84.81, passou para R$106,42 neste mês, um aumento de 25,48%, quando entregue. Já o mesmo produto quando se busca, teve um aumento de 26,19% - antes era vendido por R$ 77,83, subindo agora para R$ 98,21.

O cilindro de 45kg também registrou elevações ao longo do ano. Ele valia em média R$342.73, passando a custar até o momento R$ 407,51, um aumento de 18,90%, quando entregue em casa. Quando buscado no estabelecimento, o valor teve um acréscimo de 16,66% - saindo de R$ 328,87 para R$383,66. 

Comparando os preços médios, somente nos últimos dois meses, os aumentos são bem consideráveis. O botijão de 13kg entregue no próprio bairro que custava em julho R$ 99,87 subiu para R$ 106,42, um aumento de 6,56%.

O botijão quando buscado na portaria que, em junho, custava R$ 91,75, subiu para R$98,21, um aumento de 7,04%. Já o cilindro de 45kg que custava em média R$ 387,97 subiu para R$ 407,51, um aumento de 5,04%.

“O gás de cozinha preocupa muito as pessoas de baixa renda. Quando falamos do preço do combustível, falamos da classe trabalhadora e classe média, que geralmente possuem um carro. No gás, os mais afetados são as pessoas que não estão tendo dinheiro para comprar arroz e feijão. Esses aumentos estão colocando os trabalhadores que recebem um salário mínimo em uma situação complicadíssima”, disse Feliciano Abreu. 

Atualmente, as variações de preço do botijão podem chegar a 42% na Grande BH, podendo custar de R$88 até R$ 125. Na portaria da loja, ele pode ser vendido por R$ 95 até R$ 125, uma variação 31,58%. 

Em relação ao cilindro de 45kg entregue no próprio bairro, o preço minímo encontrado foi de R$ 350, e o maior, de R$498, uma variação também de 42%. No local, ele pode ser comprado por valores ainda mais distintos, de R$300 até R$498, uma diferença de 66%.

“Quando falamos do produto para quem ele é direcionado, acho que é bem complicado. Deveria existir um meio termo para deixar a empresa lucrativa, que já bate recorde de preços, mas também tinha que pensar nas pessoas. O gás de cozinha é primeira necessidade como remédios, arroz, feijão. Falta uma política de polarização, para matéria do barril do petróleo e mercado externo. Pode ter certeza que o consumidor não vai aguentar esses aumentos”, afirmou o diretor do Mercado Mineiro.

Inflação continua sendo grande vilã dos consumidores

Segundo o economista Samuel Chagas, a alta da inflação, o aumento do dólar e fatores pandêmicos de fuga de capital e políticos estão influenciando diretamente nestes encarecimentos constantes no preço dos combustíveis e gás de cozinha.

Segundo os dados divulgados em 9 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a alta de 0,87% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, a inflação oficial do país chegou a 9,68% nos últimos 12 meses. 

O Brasil já ocupa a terceira posição no ranking de inflação da América Latina. “No meio da crise, tivemos um fuga de capital de países emergentes para a moeda porte. Isso acontece em período de guerra e muitas incertezas, a pandemia foi um desses. Temos investidores estrangeiros com a moeda mãe universal, que é o dólar, tirando dinheiro do Brasil e colocando em economias mais fortes como Estados Unidos, Alemanha, Japão, dentre outros. Só o fato de termos ficado com perda de poder de compra na moeda com esse fator isolado, já encarece esses insumos, principalmente o petróleo”, disse o pesquisador.

“A instabilidade gerada pelo governo Bolsonaro deixa incertezas maiores no ar. Por exemplo, logo depois do dia 7 de setembro, quando a bolsa caiu em 3%, o dólar subiu quase junto. O fato político e pandêmico que fez o dólar ficar mais caro, além do petróleo subir, que afeta diretamente no repasse da gasolina, tem toda a cadeia de insumos necessários para sua produção também ficando mais caras”, completou Samuel.

Ainda de acordo com o economista, enquanto a inflação continuar apresentando números recordes de aumento, a população de baixa renda continuará sofrendo as maiores consequências. 

“A substituição dos gás de cozinha, por exemplo, é quase impossível. Os moradores de residências estilo Minha Casa Minha Vida nem se querem fazer fogão a lenha, não tem como. A inflação exógena, ela sempre vai afetar os mais pobres porque eles tem pouco recurso para substituir, pouca margem de manobra, por exemplo: o arroz está subindo muito, se esse é o preço limite da pessoa, como vai substituir? Quanto mais sobe a escala social, mais é indiferente fica a inflação, mas quando desce, complica tudo”, afirmou Chagas.

* Estagiária sob supervisão da subeditora Ellen Cristie.  

 Fonte: Estado de Minas