Crise hídrica reacende alerta no agro paulista com reflexos sobre cana e citros
07-01-2026
Escassez de chuvas e reservatórios em níveis críticos elevam a incerteza sobre a produção agrícola no estado
A crise hídrica voltou a pressionar o agronegócio paulista após uma década e já afeta culturas estratégicas. A combinação de chuvas irregulares, calor intenso e reservatórios nos níveis mais baixos desde 2013 amplia o risco para a produção nos próximos meses, com impactos mais evidentes sobre a cana de açúcar e a citricultura. As informações são de entrevista concedida ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC por Francisco Matturro, vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio e ex-secretário da Agricultura de São Paulo.
Segundo a entrevista, o quadro atual depende pouco de decisões de curto prazo. Matturro avalia que a irregularidade das precipitações e a falta de volume já atingem lavouras em fase de desenvolvimento, com efeitos diretos sobre o campo. De acordo com a entrevista, mesmo nas áreas com irrigação, a cobertura ainda é restrita no estado, o que limita a capacidade de mitigação dos impactos. O cenário se agrava, ainda segundo a entrevista, pelo esvaziamento dos reservatórios urbanos, cuja recarga depende de chuvas mais intensas concentradas em um período cada vez mais curto.
No campo, a cana-de-açúcar atravessa um momento sensível do ciclo vegetativo. Segundo a entrevista, a escassez e a irregularidade das chuvas comprometem o crescimento das plantas e podem reduzir tanto a produtividade quanto o teor de açúcar da próxima safra. A citricultura enfrenta situação semelhante. Conforme apontado na entrevista, a dependência de chuvas regulares torna o setor especialmente vulnerável, sobretudo em regiões onde a irrigação ainda não é predominante.
São Paulo responde por cerca de três quartos da produção nacional de laranja e concentra o principal polo mundial de suco concentrado e congelado. Ainda segundo a entrevista, qualquer restrição hídrica mais prolongada tende a gerar efeitos em cadeia que extrapolam o campo, alcançando a indústria, as exportações, o emprego e a arrecadação estadual. Além do impacto direto nas lavouras, a entrevista destaca que a pressão sobre os sistemas urbanos intensifica a disputa pelo uso da água e pode levar a medidas de restrição que atinjam áreas produtivas, ampliando a incerteza para o agronegócio paulista.

