DDGs: o que são, como são produzidos e por que ganharam destaque
25-02-2026

Foto: Adobe Stock
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O Brasil enviou em 2024 a primeira carga de DDG de milho para a China, com cerca de 62 mil toneladas saindo do Porto de Imbituba (SC)

O Brasil fez história no agronegócio ao enviar a primeira carga de DDG (Grãos Secos de Destilaria) de milho para a China em 2024. O navio saiu do Porto de Imbituba, em Santa Catarina, levando cerca de 62 mil toneladas do produto. Essa exportação aconteceu após um acordo entre os dois países.

Os DDGs são um subproduto que sobra da fabricação de etanol de milho. Eles servem como ingrediente nutritivo para rações de animais. Este primeiro embarque mostra que o Brasil conseguiu atingir os padrões de qualidade exigidos pelo mercado internacional.

Mas, afinal, o que são DDGs (Grãos Secos de Destilaria)?

Os DDGs são o que sobra depois de fazer etanol com milho. Quando o milho vira álcool combustível, nem tudo se transforma. O amido (parte que vira açúcar) fermenta e vira etanol. O resto — proteínas, fibras e óleos — fica concentrado e é seco para virar os DDGs.

Esse processo faz com que os DDGs tenham mais proteína do que o milho comum. Por isso, eles são valiosos para quem fabrica ração animal. Não é lixo da fábrica, mas sim um produto que tem mercado próprio.

No mercado, você vai encontrar dois nomes parecidos. DDG é o nome no singular. DDGs é o plural, mais usado no comércio. DDGS significa “Grãos Secos de Destilaria com Solúveis”, quando a parte líquida que sobra da destilação volta para o produto antes da secagem.

Essa diferença importa porque muda o valor nutritivo e o preço do produto final.

O processo inicia com o uso do milho para produção de etanol. O amido é fermentado com levedura e enzimas específicas para produzir etanol e dióxido de carbono. Os componentes que não se convertem em álcool são concentrados e secos, originando os DDGs.

Segundo a Embrapa, durante este processo de fermentação, cerca de 23 a 27% da energia do milho original se conserva no DDGS, valor que é multiplicado por três devido à concentração após a fermentação. 

De acordo com a Revista UFG, os DDGS são coprodutos com características nutricionais interessantes, apresentando teor de proteína bruta de aproximadamente 30%, além de energia para aves, o que viabiliza sua inclusão na dieta desses animais.

A regra é que, devido ao consumo de grande parte do amido na fermentação do milho, os nutrientes que restam são concentrados em valor próximo ao triplo do original. Os DDGS de alta proteína apresentam em torno de 40% de proteína.

O potencial nutricional destes coprodutos é afetado pela forma como ocorre o processo de produção industrial do etanol. Entre os principais fatores estão a qualidade do milho, moagem, cozimento, fermentação, grau de conversão do amido, destilação, temperatura e duração da secagem.

Quando os DDGS possuem teor de proteína bruta acima de 39%, são considerados de alta proteína, e abaixo de 38%, de baixa proteína.

Principais usos dos DDGs na nutrição animal

Os DDGS já são largamente usados na alimentação de bovinos, com bons resultados. As cadeias produtivas de aves e suínos também mostram interesse em estudos sobre a viabilidade de utilização dos DDGS nas rações.

O coproduto é utilizado principalmente na alimentação animal, sobretudo de gado de corte e leite.

Para suínos e aves, as dificuldades para adequada utilização nas rações de monogástricos devem-se à grande variabilidade da composição nutricional. Os DDGS de alta proteína podem substituir as fontes proteicas das rações e, dependendo do preço, reduzir o custo da alimentação.

Para frangos, a inclusão do DDGS de baixa proteína somente se viabiliza se o preço não exceder R$ 1,29 por quilo. No caso do DDGS de alta proteína, sua inclusão se viabiliza a R$ 2,26 por quilo. 

Qualidade, segurança e especificações

Após a assinatura do protocolo sanitário bilateral, o Ministério da Agricultura iniciou o processo de registro, habilitação e inspeção das plantas produtoras. 

Ao todo, 13 estabelecimentos brasileiros foram oficialmente autorizados a exportar DDG para a China, após avaliações técnicas que verificaram boas práticas de fabricação, controles de segurança, rastreabilidade e demais requisitos exigidos.

É importante verificar se o fornecedor de DDGS realiza acompanhamento quanto à presença de micotoxinas. No geral, pode-se considerar que a presença no DDGS será o triplo da observada no milho.

O Brasil exportou aproximadamente 791 mil toneladas do insumo em 2024. No mesmo ano, a China importou mais de US$ 66 milhões em produtos dessa natureza, destinados à alimentação animal. Em 2025, o país exportou 879.358 toneladas de DDG e DDGS para 25 mercados, crescimento de 9,77% em relação a 2024.

O avanço está diretamente relacionado à expansão da indústria de etanol de milho, que projeta para a safra 2025/2026 a produção de quase 10 bilhões de litros de etanol, acompanhada do aumento na oferta de coprodutos.

Globalmente, as exportações de DDGS aumentaram exponencialmente, passando de 5 milhões de toneladas em 2009 para mais de 10 milhões de toneladas em 58 países em 2022/2023.

A abertura do mercado chinês sinaliza reconhecimento internacional da qualidade produtiva brasileira e fortalece os chamados “Brazilian Distillers Grains” como importantes vetores de agregação de valor à cadeia do milho e da bioenergia.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

Fonte: Estadão