EPA vê espaço menor para etanol brasileiro nos EUA em 2020
11-07-2019

 

A Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) reduziu sua projeção de importação de etanol produzido a partir de cana-de-açúcar brasileiro dentro de sua nova proposta de mandados de biocombustíveis para 2020, apresentada na sexta-feira.

O órgão estimou que os EUA importarão 60 milhões de galões do etanol brasileiro de cana para atender ao mandato de “biocombustíveis avançados” do próximo ano, proposto em 5,04 bilhões de galões. Nos últimos dois anos, a EPA vinha estimando que essas importações do etanol brasileiro ficariam na casa dos 100 milhões de galões.

O órgão americano justifica que a estimativa menor para 2020 foi feita porque as importações efetivamente realizadas em 2017 e 2018 nunca atingiram os níveis projetados. No ano passado, os EUA importaram 44 milhões de galões. Na média dos últimos quatro anos, o volume ficou em 62 milhões de galões.

Em sua justificativa, a EPA menciona ainda a barreira do E10 (limite de mistura de 10% de etanol na gasolina), embora a agência tenha permitido o uso do E15 durante o ano todo em mudança da regulação feita no mês passado.

A agência menciona também que o etanol brasileiro enfrenta a competição do biodiesel dentro do mandato de biocombustíveis avançados porque este conta com créditos tarifários. O custo maior de importação de etanol do Brasil ante o etanol local também é mencionado como outro fator de limitação.

A estimativa da EPA para importação de etanol brasileiro não é um mandato, mas uma baliza para a quantidade do produto, que pode atender ao mandato americanos de “biocombustíveis avançados”.

A própria agência admite que o volume pode ser maior ou menor, a depender das condições climáticas no Brasil, do mercado de etanol e de açúcar, entre outros.

Dentro do mandato de “biocombustíveis avançados” há uma cota específica para bicombustíveis celulósicos, cujo mandato foi elevado ligeiramente para 540 milhões de galões para 2020, ante um mandato de 420 milhões de galões que devem ser cumpridos neste ano.

Dentre as usinas que podem atender ao mandato de biocombustíveis celulósicos estão as plantas da GranBio, em São Miguel dos Campos (AL), e da Raízen, em Piracicaba (SP), que produzem etanol a partir do bagaço da cana.

Desconsiderando a cota para biocombustíveis celulósicos, o volume para outros biocombustíveis “avançados” foi mantido em 4,5 bilhões de galões. Além do etanol de acna brasileiro, também podem atender esse mandato o gás natural comprimido, o nafta e até etanol doméstico com menor pegada de carbono.

Por mais um ano, a EPA aumentou apenas o mandato desses biocombustíveis mais “limpos” e manteve o mandato de 15 bilhões de galões para os biocombustíveis convencionais — atendido basicamente pelo etanol de milho produzido internamente. Esse volume não é alterado desde o primeiro ano do mandato de Donald Trump, em 2017.

A proposta de mandato não adaptou às projeções as isenções dadas a várias refinarias, o que frustrou o setor nos Estados Unidos.

 

Fonte: Valor Econômico