Estratégias simples em fazendas e usinas reduzem riscos de surtos de mosca-dos-estábulosvoltar

Publicado em : 09/11/2018
Estratégias simples em fazendas e usinas reduzem riscos de surtos de mosca-dos-estábulos
Foto: Gisele Rosso

Podem ocorrer surtos em fazendas quando há destinação inadequada de resíduos em confinamentos

Propriedades rurais localizadas próximas a usinas sucroalcooleiras devem redobrar a atenção em relação à mosca-dos-estábulos. Nesse período de final de safra de cana e aumento das chuvas podem ocorrer surtos do inseto nas fazendas que trabalham com gado de leite ou de corte.

Com a colheita da cana-de-açúcar há acúmulo de subprodutos orgânicos. A palha da cana misturada com a vinhaça ou vinhoto (resíduo da destilação do caldo fermentado durante a produção de álcool) sobre o solo forma um ambiente propício para o desenvolvimento e multiplicação de moscas.

De acordo com o pesquisador Alessandro Minho, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos – SP), apesar dos surtos serem mais comuns nas proximidades de usinas, também podem ocorrer quando há destinação inadequada de resíduos em confinamentos ou mau uso da cama de frango e efluentes nas fazendas de pecuária de leite ou de corte.

Os prejuízos estimados no Brasil anualmente podem chegar a 350 milhões de dólares. A mosca-dos-estábulos é hematófaga e parasita vários animais. Nos bovinos, ela causa perdas de cerca de 20% no ganho de peso e de até 50% na produção de leite. “A picada da mosca é muito dolorida. No caso de alta infestação, o gado se agrupa para se proteger das picadas. Aí os animais ficam sem beber água e sem comer. Além disso, a mosca pode ser vetor de várias doenças”, explica o pesquisador. Ainda, ele ressalta que outras perdas, como as reprodutivas, não são calculadas, mas existem.
Algumas medidas são recomendadas para reduzir o número de moscas-dos-estábulos e evitar surtos. Tanto o produtor rural, como os responsáveis pelas usinas devem tomar as precauções necessárias. A prevenção é a melhor estratégia.

A higiene das instalações pecuárias é essencial. Deve-se remover e destinar corretamente os resíduos alimentares (feno, silagem e concentrado) e os dejetos animais. A compostagem pode ser uma alternativa. Revolver o material de compostagem e drenar a água da chuva também estão entre as boas práticas para evitar surtos da mosca nas criações de bovinos.

Já nas usinas, devido ao volume de matéria orgânica e grandes áreas de cultivo de cana-de-açúcar, o controle é mais complexo. Entre as medidas indicadas pelo pesquisador estão: o monitoramento da quantidade de moscas, a elaboração de laudo com a previsão de cenários futuros para identificar possíveis surtos, a redução do volume de vinhaça por hectare, que pode ser feita implantando o concentrador de vinhaça, o recolhimento da palha ou sua incorporação no solo. Os cuidados com o revolvimento da torta de filtro (resíduo proveniente da filtração do caldo extraído das moendas) também é fundamental para o controle adequado desse inseto.

É importante que essas estratégias sejam incluídas na rotina das fazendas e usinas. “Devido aos prejuízos econômicos acarretados por essa praga, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo sancionou a Resolução SAA 38/2017 que criou o programa de controle e prevenção do surto da mosca-dos-estábulos. Na resolução estão listadas várias ações a serem tomadas para que pecuaristas e usineiros possam agir em conjunto na solução desse problema que afeta a agropecuária e a saúde pública do nosso estado”, ressaltou Minho.

Gisele Rosso (MTb/3091/PR) 

 


Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste
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