Exportações aos EUA têm menor fatia histórica no 1º tri
15-04-2026
Queda de 18,7% reduz participação a 9,5% e acende alerta bilateral
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 7,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, recuo de 18,7% na comparação com igual período de 2025, segundo dados da Amcham Brasil. Com o desempenho, a participação americana na pauta exportadora do país caiu para 9,5%, o menor nível desde o início da série histórica, em 1997.
Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, o resultado reforça a necessidade de avanço no diálogo bilateral. Segundo ele, a desaceleração da queda observada em março indica espaço para reversão da tendência, desde que haja entendimento entre os países para evitar novas restrições comerciais.
O desempenho contrasta com o crescimento das exportações brasileiras totais, que avançaram 3,5% no período, e com a expansão das vendas para parceiros relevantes, como China e União Europeia. Ainda assim, os Estados Unidos mantêm a posição de segundo principal parceiro comercial do Brasil. A corrente de comércio bilateral somou US$ 17 bilhões, queda de 14,8%, refletindo a retração tanto das exportações quanto das importações.
A queda nas exportações foi disseminada entre os setores. A indústria de transformação recuou 14,2%, a indústria extrativa caiu 39,1% e a agropecuária registrou baixa de 34,4%. As vendas de produtos industriais totalizaram US$ 6,6 bilhões, impactadas principalmente pelas tarifas incidentes sobre itens de maior valor agregado.
Apesar do resultado negativo no acumulado do trimestre, março trouxe sinais de moderação. As exportações caíram 9,1% no mês, ritmo inferior ao observado no período trimestral. Entre os principais produtos exportados, 7 de 10 registraram alta, com destaque para petróleo bruto, que avançou 321%, aeronaves, com alta de 85,8%, e máquinas elétricas, com crescimento de 73,4%.
As exportações de produtos sem sobretaxas cresceram 15,1% em março, movimento associado, em parte, à redução tarifária após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no fim de fevereiro. Ainda assim, as tarifas seguem como fator determinante para o desempenho, especialmente no segmento industrial. Atualmente, cerca de 45% das exportações brasileiras entram no mercado americano sem sobretaxas.
O ambiente de negócios permanece pressionado. Levantamento da Amcham indica que 86% das empresas demonstram preocupação com o risco de novas restrições comerciais, evidenciando o nível de incerteza nas relações bilaterais.
Do lado das importações, o Brasil comprou US$ 9,2 bilhões em produtos dos Estados Unidos no trimestre, queda de 11,1%, concentrada principalmente em máquinas e petróleo. Excluídos esses itens, o fluxo de importações mostra maior estabilidade.
Para os próximos meses, o cenário segue incerto diante da possibilidade de novas medidas tarifárias e da volatilidade internacional. Por outro lado, a desaceleração da queda em março, combinada com o aumento da participação de produtos sem sobretaxas e a demanda americana ainda consistente, aponta para a possibilidade de recuperação gradual ao longo de 2026.

