Falta de previsibilidade e segurança jurídica atrapalham produtores de etanol
10-12-2024
E podem colocar futuro do RenovaBio em xeque
A frota de veículos elétricos no Brasil cresceu mais de 40 vezes desde 2015. No entanto, a expectativa é que essa curva desacelere nos próximos anos, em função do crescente desinteresse pela tecnologia. Essa foi a análise do CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono em sua participação na live - “A evolução do mercado bioenergético - A cana e seus vários produtos”, para conteúdo do livro Cana de Tudo: do Açúcar ao Infinito.
Dificuldades para encontrar pontos de recarga, baixa autonomia, preço de aquisição elevado e forte depreciação na revenda dos usados estão entre as principais razões apontadas pelo economista para justificar sua visão. “Acredito que nos próximos 10 anos teremos um avanço dos híbridos flex (não plug-in), que poderão responder por até 25% do mercado. O restante seguirá sendo ocupado pelos carros a combustão, com o etanol utilizado como substituto dentro do Ciclo Otto.”
No entanto, Ono ressaltou que ainda existem obstáculos a serem superados para a consolidação do biocombustível, sendo o principal deles a manutenção da atual política de preços da Petrobras sobre a gasolina, que na safra 2024/25 deve reduzir a receita dos produtores de etanol em até R$ 10 bilhões. “O que precisamos é de previsibilidade. De políticas públicas de longo prazo que deem segurança ao investimento de capital e que permitam o aproveitamento das potencialidades do setor.”
De acordo com o economista, até o mesmo o RenovaBio, política nacional que visa expandir a produção de biocombustíveis no Brasil, estaria com a “luz amarela piscando” por falta de previsibilidade e segurança jurídica. “O cumprimento das metas individuais compulsórias de redução de gases causadores do efeito estufa no âmbito do RenovaBio está caindo ano após ano. Em 2023, foram aposentados (retirados de circulação) 33,1 milhões de créditos de descarbonização (CBIOs) pelas distribuidoras de combustíveis, o que corresponde a 81% do total das metas individuais.”
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