Granbio inicia aposta em bioquerosene de aviação
01-04-2022
A GranBio Investimentos, da família Gradin, que possui uma usina de etanol celulósico “puro sangue” — não integrada com outras indústrias — em Alagoas, continua a patinar na tentativa de equilíbrio de sua situação financeira mesmo passados mais de dez anos desde que ela foi criada, mas ainda tenta buscar notas rotas biotecnológicas para aproveitar o movimento global de transição energética e descarbonização, como a do bioquerosene de aviação.
Em 2021, a companhia teve prejuízo pelo segundo ano consecutivo, reflexo de sua tentativa de acertar dívidas com o BNDES e o Banco do Nordeste e de um faturamento que ainda não conseguiu decolar. O prejuízo atribuído aos controladores da companhia no ano passado ficou em R$ 170,3 milhões, bem parecido com o prejuízo do ano anterior, que havia sido de R$ 169,1 milhões. No ano, a GranBio teve que arcar com um pagamento de R$ 280 milhões aos bancos públicos, após vencer o período de stand-still.
Os controladores vêm apoiando financeiramente a companhia. Em 2021, eles concederam um mútuo de R$ 155,6 milhões para apoiar a GranBio no pagamento de seus empréstimos, e neste ano concederam um novo mútuo, de R$ 14,8 milhões, além de terem quitado um financiamento de R$ 12,6 milhões de capital de giro. Também compraram R$ 56 milhões em debêntures da própria companhia, eliminando parte das dívidas financeiras.
Mas o processo de renegociação das dívidas restantes segue em curso. Neste mês, a empresa concluiu uma renegociação com o Banco do Brasil. Falta agora renegociar dívidas com o Bradesco e o Itaú.
A GranBio chegou a ter lucro em 2019, mas desde sua fundação, em 2011, a empresa acumula prejuízos de R$ 739,5 milhões. Em alguns momentos, como na safra passada, a companhia destina a palha da cana coletada nas lavouras para a cogeração de energia ao invés de usar para a produção de etanol celulósico. A receita do ano passado, de R$ 33,6 milhões, segue aquém do custo operacional contábil, pressionado pela depreciação. No ano, as operações ainda consumiram um caixa líquido de R$ 86 milhões. Na safra atual, a empresa informa que pretende voltar a produzir o etanol 2G com o bagaço.
Outros negócios
Além da Bioflex, a usina de etanol 2G em Alagoas, a GranBio também tem um negócio de desenvolvimento genético de variedades de cana, a BioVertis, e um negócio de patentes de outros renováveis de segunda geração, a Biotech. Neste caso, o objetivo é licenciar sua própria tecnologia para desenvolvimento de plantas de bioquerosene de aviação (SAF) e de nanocelulose (produto que pode substituir sílica e negro de fumo em pneus, ou celulose em papelões).
No ano passado, a GranBio e outras duas empresas em um consórcio foram eleitas pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos para um projeto de construção de uma planta integrada de bioquerosene de aviação de segunda geração. Junto com a Petron e a Byogy, a Granbio desenvolveu uma rota de produção do renovável a partir do álcool. Dos US$ 3,8 milhões aprovados pelo DoE, a empresa recebeu US$ 311 mil.
A Granbio tentou realizar um IPO no ano passado, mas a iniciativa foi postergada indefinidamente, e agora o foco é a busca de um investidor estratégico.
Fonte: Valor Econômico

