GranBio obtém US$ 80 milhões para planta de SAF
30-01-2023

A GranBio, do empresário Bernardo Gradin, recebeu uma subvenção de US$ 80 milhões do governo dos Estados Unidos para construir uma planta de demonstração de bioquerosene de aviação (SAF) no país.

Por Camila Souza Ramos

Os recursos vão financiar parte do projeto, que deverá custar US$ 200 milhões. A empresa busca agora parceiros para complementar metade do capital necessário e prevê ainda um aporte próprio no projeto.

A Avapco, subsidiária da Granbio nos EUA, foi uma das 17 selecionadas em um programa de apoio a biocombustíveis do Departamento de Energia. A unidade deverá ficar no Estado da Geórgia, onde terá acesso fácil a resíduos de cana e a cavaco de madeira. Essas matérias-primas são transformados em etanol celulósico, depois em etileno, e, por fim, em SAF.

A empresa já aposta no biocombustível há sete anos, quando fez o primeiro pedido de apoio ao governo dos EUA. Agora, a tecnologia já foi provada em uma planta piloto, e o plano é que a nova unidade prove que a cadeia produtiva é viável.

Opções

A GranBio também tem uma planta piloto de etanol celulósico nos EUA, onde já testou com sucesso 17 tipos de matérias-primas. “Nossa tecnologia é agnóstica, pode usar outras biomassas disponíveis, então temos um mercado grande de matéria-prima. O maior desafio atual para o SAF de biomassa é demonstrar que é possível dar escala ao fornecimento de matéria-prima”, disse.

A unidade terá capacidade para produzir 8 milhões de litros de SAF ao ano, além de nafta verde e diesel verde. Caso a planta de demonstração se mostre viável, a GranBio partirá para uma planta comercial, que pode ter capacidade anual de 400 milhões de litros.

Inicialmente, o projeto não deve dar lucro, admite Gradin. “Provavelmente, vai dar prejuízo, mas não por muito tempo, porque é um produto muito procurado e de primeira linha”, disse.

Incentivos

A GranBio estima que a emissão de carbono do SAF, em seu ciclo de vida, seja negativa em 12 toneladas por megajoule. Isso significa que o uso do biocombustível deve capturar mais do que emitir carbono na atmosfera, o que pode angariar prêmios adicionais nos mercados de carbono e atrair o interesse dos clientes.

Os EUA lideram a ainda novata indústria global de SAF, apesar da elevada disponibilidade de matéria-prima em outras regiões, como na América Latina. No ano passado, o governo Biden incluiu no programa de combate à inflação incentivos à produção do bioquerosene de aviação. Os produtores podem ter créditos tributários de até US$ 1,75 o galão e vender créditos no programa federal Renewable Fuel Standard (RFS) e no da Califórnia, o Low Carbon Fuel Standard (LCFS). Já o Brasil ainda não tem nenhum programa específico para o renovável.

“O ambiente para apoio do escalonamento de tecnologia ainda é pouco incentivada no Brasil. E o ecossistema nos EUA para promover e acelerar tecnologias para chegar no mercado é mais maduro, afirma Gradin. Ele acredita ser possível utilizar o parque industrial de papel e celulose ocioso hoje nos EUA para direcioná-lo à produção de SAF, o que reduziria o custo dos investimentos industriais. Atualmente, há uma centena de indústrias do ramo paradas no país. Mas sua ambição é global. “Queremos ser um dos líderes globais de SAF”.

Fonte: Valor Econômico