Grupo Telles entra em energia renovável
15-08-2022

Aline Telles Chaves, vice-presidente de operações do grupo familiar, diz que a instalação do parque solar no Ceará vai exigir investimentos de R$ 200 milhões — Foto: Marilia Camelo/Valor
Aline Telles Chaves, vice-presidente de operações do grupo familiar, diz que a instalação do parque solar no Ceará vai exigir investimentos de R$ 200 milhões — Foto: Marilia Camelo/Valor

Nova área de negócio da família se soma à distribuição de combustíveis, embalagens e água mineral.

Por Marina Falcão — Do Recife

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O grupo cearense Telles, que atua em distribuição de combustíveis, fabricação de embalagens e água mineral, vai entrar no ramo de energia renovável com investimento de R$ 200 milhões em um parque solar de até 50 MW no município de Jaguaruana (CE). O investimento será feito com recursos próprios da família controladora, que embolsou R$ 900 milhões com a venda da cachaça Ypióca para a multinacional Diageo, há dez anos.

A usina solar faz parte da estratégia de diversificação dos negócios da família, que devem alcançar esse ano uma soma R$ 788 milhões em faturamento, sendo cerca de 50% proveniente da distribuição de combustíveis, com a YPetro. Até 2025, com a entrada no segmento de energia, a empresa projeta ultrapassar R$ 1 bilhão em vendas brutas.

Nos dez anos que sucederam a venda da Ypióca, o grupo Telles fez investimentos constantes nos negócios que eram satélites da marca de cachaça. Este ano, as vendas totais do grupo devem registrar crescimento de 30% em relação ao ano passado, com alta em todos os segmentos de negócios. " Mesmo na pandemia, continuamos a investir e agora estamos colhendo os frutos", afirma Aline Telles Chaves, vice-presidente de operações do grupo.

Com receita bruta de R$ 580 milhões no ano passado, o grupo obteve lucro líquido de R$ 57,2 milhões, revertendo prejuízo de R$ 17 milhões um ano antes. De acordo com as demonstrações financeiras auditadas, em dezembro a dívida líquida do grupo era de cerca de R$ 80 milhões, sendo a maior parte com vencimento no longo prazo. O patrimônio líquido era de R$ 609 milhões.

O planejamento estratégico do grupo Telles prevê investimentos de R$ 313 milhões, apenas com recursos próprio dos acionistas, até R$ 2025. Antes de decidir partir para o mercado de energia, o grupo equipou suas fábricas com unidades solares para consumo próprio, totalizando 15 MW já instalados.

No momento, o grupo está fazendo cotação de preços das placas solares no mercado. A previsão é de que o parque entre em operação em 2025. Até lá, ele também fará investimento de R$ 75 milhões na fábrica de caixas de papelão localizada em Aquiraz (CE) para ampliar a capacidade produtiva diária dos atuais 110 toneladas para 140 toneladas.

O grupo está reformulando as operações da sua fábrica de embalagens plásticas para posicionar o negócio melhor dentro dos conceitos ESG. A unidade localizada em Fortaleza passará a produzir a própria resina PET a partir de embalagens descartadas em estabelecimentos comerciais do Estado. Cerca de 30% da resina fabricada será usada para consumo próprio das empresas da família, que tem um negócio de água mineral, a Naturágua, com faturamento de R$ 85 milhões. O excedente será vendido a outros fabricantes de embalagens de alimentos e bebidas.

Com sete filhos, cinco trabalhando no grupo empresarial e três deles ocupando posição de diretoria, o patriarca Everardo Telles diz que está satisfeito com a atual composição de negócios da família - que soma 1.500 funcionários - e não pretende se desfazer de nenhum ativo como fez com a Ypióca em 2012. Ele afirma, no entanto, que a usina de etanol que possui no Rio Grande do Norte poderá ser vendida. "Não é uma prioridade nossa", afirma o empresário. Ele ocupa a função de presidente do conselho do grupo, enquanto um dos filhos, Paulo Telles, exerce a presidência executiva.

No segmento de água, algumas aquisições estão no radar. "Nesse setor, por essência, só é possível crescer com aquisição de novas fontes, já que não é viável o transporte de água a granel", explica a vice-presidente.

Fonte: Valor Econômico