Guariba: da greve de boias-frias ao maior polo de mobilidade sustentável do mundo
08-10-2024
Única cidade do mundo a possuir uma planta de biogás e outra de Etanol de Segunda Geração, Guariba transformou e foi transformada pela cana-de-açúcar, alcançando o status de maior polo de mobilidade sustentável do planeta
Luciana Paiva e Leonardo Ruiz
A cana-de-açúcar foi a primeira grande riqueza agrícola e industrial brasileira. Introduzida em meados de 1530, rapidamente se tornou o alicerce econômico, não somente da coroa portuguesa na nova Colônia, mas da república posteriormente instalada. Embora tenha passado por altos e baixos ao longo de sua história, a cana segue até hoje como uma das principais culturas do agronegócio brasileiro, e um dos pilares do nosso Produto Interno Bruto (PIB).
Nesses quase cinco séculos em solo brasileiro, a cana passou por profundas transformações. Já foi cultivada manualmente e carregada em lombo de burro. Hoje, é plantada, colhida e transportada por máquinas automatizadas e, em alguns casos, autônomas. Já foi avessa à tecnologia, mas já se rende amigavelmente à inteligência artificial. Já foi apenas de açúcar, mas agora é de uma infinidade de produtos. Etanol de primeira e segunda geração, energia elétrica, biogás, biometano, combustível marítimo e de aviação, plástico verde, cosméticos, produtos farmacêuticos e até material de construção se juntam ao bom e velho adoçante, transformando a cana-de-açúcar em cana-de-tudo.
São muitos os exemplos que retratam essa evolução. Mas nenhum é tão singular quanto a relação simbiótica entre a cana e o município paulista de Guariba. Com pouco mais de 37 mil habitantes, a história dessa cidadezinha interiorana se entrelaça com a da canavicultura. Se a cana-de-açúcar se transformou ao longo do tempo, Guariba foi uma das principais engrenagens.
Berço do cooperativismo rural, dos conceitos ESG e de técnicas de agricultura regenerativa, cenário da maior greve de boias-frias da história – que alterou para sempre as relações de trabalho no setor – e sede da maior planta de etanol de segunda geração do mundo e de uma das maiores fábricas de biogás do planeta. Essas são apenas algumas das características que tornam Guariba uma terra metamorfoseada pela cana-de-açúcar. Um polo de mobilidade sustentável que abastece o mundo e, ao mesmo tempo, representa progresso, inclusão social e esperança para milhares de famílias da região.
Nos próximos parágrafos iremos detalhar um pouco da relação entre Guariba e a cana-de-açúcar, dos primórdios da cultura na região, passando pela greve dos boias-frias e culminando na perpetuação do município como referência mundial na produção de combustíveis renovaveis.

Com pouco mais de 37 mil habitantes, a história de Guariba se entrelaça com a da canavicultura (Foto: Grupo Imobiliário Laurentiz)
“Tristeza dos citrus” dizima laranjais, dá lugar a cana-de-açúcar e transforma para sempre a boa e velha Guariba
Essa história de pioneirismo, sucesso e prosperidade tem início em meados da década de 1940. Curiosamente, com tristeza. A tristeza do citrus, considerada a virose de maior importância econômica no mundo para a citricultura, estava dizimando os laranjais da fazenda São Martinho, pertencente à família Antônio da Silva Prado e localizada em Pradópolis, na época, distrito de Guariba.
Impressionados com a rapidez com que a doença se alastrava, os proprietários da fazenda contrataram Antonio José Rodrigues Filho, chefe da Estação Experimental de Citricultura de Cordeirópolis (atual Centro de Citricultura Sylvio Moreira), para tentar sanar o problema. Ao constatar o tamanho da “tristeza” que se abatia nos laranjais, o agrônomo não viu outra saída. Orientou os donos para substituírem a citricultura pela canavicultura, que na época já se apresentava como um bom negócio.

Mudar da citricultura para a canavicultura foi ideia de Antonio José Rodrigues Filho, que anos mais tarde viria a se tornar precursor do cooperativismo em Guariba e região (Foto: Arquivo público do Estado de São Paulo)
Uma vez que migrar para o cultivo de cana-de-açúcar havia sido sua ideia, Antonio ficou encarregado de montar a usina. Nesse meio tempo, seu sogro faleceu, deixando uma herança para sua esposa e cunhados, também engenheiros agrônomos. Juntos, decidiram usar esse dinheiro para adquirir uma fazenda nas imediações da nova indústria.
Localizada do outro lado do rio Mogi-Guaçu, dentro dos limites de Guariba, a Fazenda Santa Izabel iniciava ali sua trajetória de sucesso, com foco principal na produção de cana-de-açúcar para fornecimento para a Usina São Martinho, que anos mais tarde viria se tornar a maior processadora de cana do mundo.
Com o passar dos anos, o cenário rural local foi sendo tomado pelos canaviais. O sucesso da cultura foi tamanho que a região que compreende os municípios de Guariba, Pradópolis e Jaboticabal passou a ser considerada uma das melhores áreas para o cultivo de cana-de-açúcar do Brasil, graças a seu solo fértil, topografia plana, boas condições climáticas e proximidade a rodovias e ferrovia. Esses fatores acabaram por estimular outros empreendimentos, como a Usina Bonfim, instalada em Guariba em 1948, considerada, na época, uma das cinco maiores do mundo.
Como não existe cana sem indústria e nem indústria sem cana, as usinas necessitavam de matéria-prima de fornecedores. Atraídos pela possibilidade, muitos produtores rurais passaram a se dedicar à lavoura canavieira. Observando esse movimento, Antonio Rodrigues fundou, em 1951, a Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba (Socicana). Além de fundador, foi seu primeiro presidente, permanecendo no posto por 15 anos. Em 28 de março de 1963, participou da fundação da Coplana – Cooperativa Agroindustrial. Foi também seu primeiro presidente, ocupando a cadeira até 1966.
Em Guariba, Roberto e Eloisa Rodrigues antecipam adoção de conceitos ESG e dão início a trajetória cooperativista
Na fazenda Santa Izabel, Roberto – filho de Antonio Rodrigues – crescia acompanhando a efervescência da cultura canavieira. Encantado, foi cursar engenharia agronômica na ESALQ-USP em Piracicaba/SP. Quando seu pai partiu rumo a capital paulista no final dos anos 1960 para assumir um cargo público, o agora engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues, ao lado de sua esposa Eloísa Helena de Araújo Rodrigues, também agrônoma, retornou à Guariba a fim de assumir a propriedade.
Ali, o casal empreendeu uma gestão baseada em práticas até então desconhecidas pela maior parte dos profissionais do setor, mas que hoje integram o ESG, conceito que abrange um conjunto de ações voltadas para a preservação do meio ambiente, responsabilidade social e transparência empresarial.
No campo ambiental, o casal buscava por sistemas produtivos autossustentáveis. Uma das maiores preocupações era o solo descoberto nas áreas de renovação. Era preciso adotar uma prática que o protegesse. A solução encontrada foi o cultivo de soja durante os meses de primavera e verão, época em que os canaviais ficavam sem uso. Tinha início ali a rotação de culturas, uma prática largamente adotada nas usinas e agrícolas na atualidade por oferecer ganhos agronômicos e geração de renda extra com a comercialização da cultura rotacional.
Recomposição de matas ciliares, proteção de mananciais, tratamento de resíduos das atividades, reciclagem de pneus e embalagens de agroquímicos, correto acondicionamento de óleo combustível e lubrificante, reflorestamento de áreas e conscientização dos colaboradores e comunidade local também foram ações adotadas pelos agrônomos nesse âmbito.
Roberto Rodrigues narra sua história de vida e fala da ligação com o município paulista de Guariba
No social, a Fazenda Santa Izabel também foi pioneira. Bem antes de ser norma, já oferecia aos funcionários dia de descanso remunerado, e entre as cláusulas contratuais trabalhistas, uma delas exigia a permanência das crianças na escola que a fazenda possuía. Na década de 1970, foi implantado ainda um programa educacional que concedia bolsa de estudos para cursos técnicos e superiores.
Paralelamente, Roberto percebeu que a associação e a cooperativa criadas por seu pai existiam de forma tímida. Não só achou que elas poderiam fazer mais, como as levou a realizar. Inquieto, participou ainda da fundação da Sicoob Coopecredi, atualmente Sicoob PRO, criada para prestar suporte financeiro aos canavicultores de Guariba e região e que hoje se destaca por premiar cooperados e associados que praticam a agricultura sustentável. Além de fundador, foi presidente no biênio 1978/1980.

Roberto Rodrigues assumiu projetos do pai e colocou Guariba como um dos maiores exemplos
de cooperativismo rural do mundo (Foto: Arquivo)
A atuação destacada nessas três entidades apresentou Roberto Rodrigues para o mundo do cooperativismo, levando-o à presidência da Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB por dois mandatos (1985/1991); da Organização Internacional de Cooperativas Agrícolas (de 1992 a 1997) e da Aliança Cooperativa Internacional – ACI (1997/2001). O que era praticado em Guariba foi disseminado mundo afora.
Completando 82 anos em agosto de 2024, Roberto Rodrigues ainda acumulou os títulos de embaixador e líder mundial em cooperativismo, professor do Departamento de Economia Rural da UNESP de Jaboticabal, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ministro da Agricultura e um dos protagonistas da transformação do universo canavieiro.
“Levante de Guariba” muda relação de trabalho no universo canavieiro
Em maio de 1984, Guariba ganhou o noticiário nacional e internacional, não pelo pioneirismo dos bons exemplos de Roberto, Eloisa, da fazenda Santa Izabel, do cooperativismo e associativismo, mas por algo também inédito: a greve dos cortadores de cana, popularmente conhecidos como “boias-frias”.
O mar de cana que cobria a região de Guariba naquela época exigia milhares de mãos para empunharem o facão na colheita, ainda realizada de forma manual. Estima-se que na década de 1980, o setor empregava cerca de 1,5 milhão de cortadores nos mais de mil municípios canavieiros. E não só na cana, como em muitos segmentos, os direitos trabalhistas deixavam bastante a desejar.
Mas o que levou ser em Guariba o primeiro levante de trabalhadores da história do setor? Para estudiosos, foram três motivos:
1º - Mudança do tamanho do eito do corte de cana de cinco para sete ruas, que aumentava em 40% o esforço do trabalhador ao longo do dia de trabalho;
2º - Uma possível aliança entre donos de supermercados e os empreiteiros da região, que supostamente estariam manipulando os preços dos alimentos, levando cortadores a terminarem a safra endividados e precisando retornar no ciclo seguinte para quitar seus débitos;
3ª - Aumento acentuado do preço da água cobrado pela Sabesp, fato que ajudou a corroer ainda mais a pouca renda dos trabalhadores do corte manual.
O Levante de Guariba, como passou a ser conhecido, envolveu cerca de dez mil trabalhadores, entre 14 e 19 de maio de 1984. Houve vandalismo, repressão policial, tiroteio e morte de um trabalhador.

Assembleia em campo de futebol em Guariba, entre setor patronal e cortadores de cana, colocou fim a greve (Foto: Arquivo Jornal a Verdade)
Na época, Roberto Rodrigues era Diretor da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Para ele, a Greve de Guariba foi um erro de estratégia. Pura falta de diálogo do segmento com os trabalhadores. Explicou que o setor concluiu que um eito de cinco ruas fazia com que o caminhão circulasse por cima da cana, prejudicando o canavial. A mudança para sete ruas era a saída perfeita. Só esqueceram de combinar isso com os cortadores, pois com sete linhas, a área de colheita seria aumentada em três metros, levando o trabalhador a cortar menos por dia, reduzindo seu lucro.
Roberto estava em uma reunião na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (OCESP) quando foi comunicado sobre o levante e sua gravidade. Foi solicitada sua intervenção como mediador. Voltou para Guariba e trabalhou pela paz. Aconteceram longas reuniões. Foi proposto o retorno para o eito de cinco linhas, mas o sindicato dos trabalhadores se fortaleceu, ficou com mais poder de barganha e surgiram outras reivindicações. Ele redigiu um documento com as novas demandas, apresentou aos usineiros e eles concordaram.
O próximo passo foi ligar para o Secretário de Trabalho do Estado de São Paulo, Almir Pazzianotto. Contou que a coisa estava feia. Havia acontecido incêndio, violência e até tiros. E precisava da presença do governo. No dia seguinte, Pazzianoto estava presente no Sindicato Rural de Jaboticabal. Roberto lhe entregou o documento aprovado pelos usineiros. O Secretário reuniu as lideranças sindicais, apresentou o documento, eles aceitaram e foram para o campo de futebol em Guariba, chamaram os trabalhadores, leram o acordo e a greve acabou.
Devido a “conquista” dos trabalhadores rurais, outros protestos foram articulados em diferentes regiões canavieiras de São Paulo e do Brasil. A mobilização dos cortadores de cana também inspirou o mesmo em outras atividades agrícolas, como laranja, café e algodão.
Embora violento, o levante de Guariba foi um marco quanto à relação salarial no setor canavieiro nacional. Após a greve, foi firmada a primeira convenção coletiva de trabalho do segmento. Entre as mudanças, estava a criação do piso salarial, nova forma de aferição do corte, valores diferentes para cana de ano e de ano e meio e transporte de facões e enxadas separado dos trabalhadores. Algumas dessas conquistas já perderam o sentido devido às mudanças no sistema de produção, mas na época foram fundamentais.
Guariba: 40 anos após a greve dos boias-frias
Quatro décadas após o “levante dos boias-frias”, Guariba foi transformada pela chegada da cnaa-de-açúcar e, consequentemente, dos biocombustiveis. Dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são provas desse cuidado. Hoje, Guariba se destaca por ter 99% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, alçando a cidade a 22º melhor do país nesse quesito (dentre 5.570 municípios). Possui ainda 98,5% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização.
Na economia, a cidade tem sentido no “bolso” as melhorias recentes. Em 2022, o salário médio mensal dos trabalhadores formais foi de 2,3 salários-mínimos, colocando a cidade entre as 20% do país que mais remuneram. Esse aumento na renda, somado aos dados de longevidade e educação, levaram Guariba a alcançar a marca de 0,719 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), alçando-a ao nível alto desse ranking.
Dados como esses provam que, ao longo das últimas décadas, a expansão dos canaviais levou prosperidade ao município. Saúde, educação, segurança e lazer são as marcas da cidade hoje, e a população não quer menos que isso.

Nos últimos anos, Guariba apresentou variação positiva no Índice de Desenvolvimento
Humano Municipal (IDHM), alcançando o nível alto desse ranking (Fonte: IBGE)
Em seus parques de bioenergia, a Raízen extrai o máximo da sua biomassa
A Raízen não possui mais usinas, mas bioparques de energia. Em suas 35 unidades espalhadas por São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, nada é desperdiçado. A economia circular adotada permite que os resíduos dos processos virem insumos para a produção de novos produtos.
O etanol – que se destaca pelo seu papel essencial na transição energética, sendo responsável por uma redução média de 80% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) em comparação com a gasolina brasileira – agora divide os holofotes com os “ainda mais renováveis” etanol de segunda geração (E2G), biogás e biometano, que já são produzidos pelas unidades da Raízen, auxiliando no processo de descarbonização da matriz energética brasileira.
Conhecido como etanol celulósico, o Etanol de Segunda Geração é produzido a partir do bagaço da cana-de-açúcar. Por conta disso, tem o potencial de elevar em cerca de 50% a capacidade de produção de etanol sem a necessidade de aumentar a área de plantio. Atualmente, a Raízen é a única empresa no mundo a produzir esse biocombustível em escala comercial. Já a vinhaça e a torta de filtro são utilizadas para geração de biogás, pode ser convertido tanto em eletricidade quanto em gás biometano.

Plantas de E2G da Raízen (Foto: Divulgação)
Com diversas plantas de etanol de primeira e segunda geração, biogás e biometano em operação, a Raízen se tornou uma empresa integrada referência global em bionergia. Com um amplo portfólio de produtos renováveis e soluções para a descarbonização, segue comprometida para com o desenvolvimento de um futuro mais sustentável.
Raízen expande operação do Bioparque Bonfim e transforma Guariba no maior polo de mobilidade sustentável do mundo
A primeira cidade a ter uma planta de biogás proveniente da vinhaça da cana-de-açúcar é Tamboara, no Paraná. O primeiro município a contar com uma planta de Etanol de Segunda Geração (E2G) é Piracicaba, no interior paulista. No entanto, Guariba é a único local do mundo a possuir uma planta de biogás e outra de E2G. As duas no Bioparque Bonfim, que não é apenas uma das 35 unidades da Raízen, mas o parque de bioenergia mais completo do Grupo.
Em outubro de 2020, a Raízen inaugurou ali uma das maiores plantas de biogás do mundo, que usa a vinhaça e a torta de filtro - resíduos do processo de produção de etanol (E1G e E2G) – como matéria-prima. Parte desse biogás é convertido em biometano, uma alternativa renovável e limpa com o poder de substituir o diesel na frota de veículos leves e pesados da companhia.
Neste ano, outra grande novidade. A Raízen inaugurou sua mais nova planta de E2G. Com investimento de R$ 1.2 bilhão, é a segunda planta de etanol celulósico da companhia e a maior do mundo. Conta com 80% do volume já contratado sobre a capacidade de produção de 82 milhões de litros por ano. O E2G tem uma pegada de carbono 80% menor que a gasolina comum brasileira e 30% menor que o Etanol de Primeira Geração (E1G).

Com tecnologia proprietária, Parque de Bioenergia Bonfim ganha unidade de E2G com capacidade de produção de 82 milhões de litros por ano e investimento de R$ 1,2 bilhão (Foto: Leonardo Ruiz)
Segundo a gerente industrial E2G da Raízen – Bonfim, Hávala Reis, o bioparque de Guariba conseguiu, de maneira ímpar, estabelecer um conceito estratégico de economia circular, gerando um sistema comercialmente viável e ambientalmente responsável. “Hoje, com a mesma quantidade de cana plantada, somos capazes de produzir 50% a mais de etanol. Esse fato, além de importante para a empresa, consegue atenuar o desgaste ambiental causado pela produção linear.”
Localizada a pouco mais de 20 quilômetros do centro comercial de Guariba, o Bioparque Bonfim é uma das principais engrenagens da cidade. Estima-se que grande parte dos seus 2.507 funcionários residam ali. E com a inauguração da planta de E2G, a empresa se firmou ainda mais como uma das principais empregadoras do município.
Confira operação da maior planta de Etanol de Segunda Geração do mundo, localizada em Guariba/SP
Hávala conta que um dos desafios concernentes ao projeto de etanol celulósico na unidade foi o recrutamento e capacitação de pessoal. “Não existe no mercado pessoas qualificadas para operar uma planta de etanol de segunda geração. Por conta disso, foram feitas várias parcerias com instituições de ensino visando qualificar ao máximo os futuros colaboradores”.
Em Guariba, por exemplo, foi criado um curso técnico em parceria com o SENAI. Foram montadas também plantas-pilotos em outras cidades da região e obtido apoio de escolas técnicas estaduais. A Raízen utilizou ainda sua plataforma de capacitação interna “Universidade Raízen” para ampliar e acelerar o processo de capacitação.
Além de empregador direto, o Bioparque Bonfim apoia a indústria local, adquirindo equipamentos e contratando serviços de empresas da região. “Cerca de 80% dos equipamentos da planta de etanol celulósico são nacionais. Uma forma de tornar o processo mais competitivo e impulsionar a economia do país.”
Com a proposta de redefinir o futuro da energia, a Raízen parece ter montado seu quartel general no bioparque de Guariba, um município que começou como um pequeno vilarejo de pouco mais de oito mil habitantes, mas que prosperou com a força da cana-de-açúcar, uma cultura de infinitas possibilidades e que vem reescrevendo a história da cidade e de seus habitantes.
“Guariba terra querida, Guariba dos encantos meus, Guariba sempre florida, Abençoada por Deus, Guariba com teus canaviais, Que é despertada pelos pardais, Que sobrevoam teu céu colorido, Trazendo uma esperança, E novos ideais.”
Hino oficial de Guariba. Letra de Almir Spínola e Jorge Nogueira de Carvalho

