Inpasa inicia construção da primeira usina de biocombustíveis na Bahia
22-10-2024

Projeto em Luís Eduardo Magalhães marca nova fase para a economia local, com investimentos bilionários e geração de empregos

A Inpasa deu início, nesta segunda-feira (21), à construção de sua primeira biorrefinaria na Bahia, na cidade de Luís Eduardo Magalhães. O evento de lançamento da pedra fundamental, realizado sob forte chuva, contou com a presença de autoridades em níveis nacional, estadual e municipal, além de produtores rurais e funcionários da empresa. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, celebrou o projeto, afirmando: “Com a Inpasa, passamos de importadores para exportadores de biocombustíveis e proteína animal.”

A usina será a oitava da Inpasa e a sexta no Brasil, com um investimento estimado em R$ 1,3 bilhão. A planta promete movimentar a economia regional, com a geração de aproximadamente 2.500 empregos durante a fase de construção e cerca de 450 vagas permanentes após o início das operações, previsto para o primeiro trimestre de 2026.

A nova unidade contribuirá para resolver gargalos locais, como a falta de energia e os altos custos de combustível. O prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Ondumar Ferreira Borges Júnior, destacou a importância da usina para a produção local de ração animal: “Agora, vamos produzir aqui ração para bovinos, suínos e aves, sem precisar buscar em outros estados.”

Produtores locais, como João Antônio Franciosi, veem na chegada da Inpasa uma oportunidade de diversificar a produção agrícola: “Hoje planto soja e algodão, mas com a nova usina, vou investir no milho de segunda safra, o que melhora a negociação e o escoamento dos insumos.”

Com uma capacidade anual de processamento de 1 milhão de toneladas de grãos, a nova biorrefinaria deverá produzir 460 milhões de litros de etanol, 230 mil toneladas de DDGS (um subproduto utilizado em rações), 23 mil toneladas de óleo vegetal e gerar 200 GWh de energia elétrica por ano.

Segundo Rafael Ranzolin, vice-presidente da Inpasa, a escolha de Luís Eduardo Magalhães se deu pela forte infraestrutura de exportação e pelo protagonismo do município no agronegócio brasileiro. Além disso, a chegada da usina deve estimular o cultivo de sorgo e milho na região, maximizando o uso dos resíduos agrícolas como biomassa para produção de vapor.

Desde suas origens no Paraguai, em 2006, a companhia expandiu suas operações para o Brasil em 2018, onde já opera em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Maranhão, além do novo projeto em Luís Eduardo Magalhães. A empresa destaca-se pela produção de etanol, DDGS, óleos vegetais e bioeletricidade, com produtos exportados para cinco continentes.

A Bahia está entre os 10 maiores produtores de milho do país. Cerca de 43% da produção é realizada na região Oeste do estado, onde está localizada Luís Eduardo Magalhães. Já a safra de sorgo, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem potencial de crescimento e deve aumentar 42,3% em 2024. Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam que a cultura vai expandir devido ao alto potencial de produção dos grãos, especialmente em situações de déficit hídrico e baixa fertilidade do solo, que oferecem riscos para outras culturas, como o milho. 

Do ponto de vista de mercado, o cultivo de sorgo em sucessão a culturas de verão contribui para a oferta sustentável de alimentos de qualidade para a alimentação animal e a redução de custos, beneficiando tanto pecuaristas quanto a agroindústria de rações, além da biorrefinaria de etanol. Atualmente, na região produtora de grãos de sorgo do Brasil Central, o produto tem boa liquidez para os agricultores e se torna uma alternativa cada vez mais procurada pela indústria em busca de rações de qualidade a preços competitivos.