Integrantes do setor bioenergético foram coagidos para vender produtos e propriedades por valores abaixo do mercado
01-09-2025
Ameaças do crime organizado envolviam incêndios nos canaviais, sequestros e mortes de familiares
A megaoperação que mirou o esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis na última quinta-feira (28) é a primeira de outras que ainda virão. "Esse estouro da boiada não vai parar por aqui". É o que disse César Tralli em conversa com Natuza Nery no podcast O Assunto da sexta-feira (29). OUÇA NO PLAYER A PARTIR DO MINUTO 17:20 - 'Estouro da boiada não vai parar por aqui': César Tralli conta bastidores da megaoperação contra o PCC
Apresentador da Globo e da GloboNews, Tralli acompanhou investigações sobre a atuação da máfia no setor de combustíveis por mais de uma década. No podcast, ele contou detalhes de bastidores sobre a investigação que revelou como o crime organizado se infiltrou no setor, e como o PCC chegou até a Faria Lima, centro financeiro do país.
Na avaliação de Tralli, a investigação que levou à megaoperação da quinta-feira ainda terá novos desdobramentos. "Tenho convicção de que outras fases virão juntando as informações todas", diz.
Tralli contou que, em 2024, começou a receber informações de pessoas do setor denunciando ameaças do crime organizado.
"Comecei a receber muito telefonema de gente do ramo do açúcar e do álcool desesperada. Desesperada no sentido de dizer: 'Olha, a gente está sofrendo ameaça, a gente está sofrendo coação'".
Na conversa no podcast O Assunto, Tralli afirmou que empresários relataram coação, invasões com carros-fortes, e até ameaças de sequestrar famílias ou matar filhos para forçá-los a vender produtos por valores abaixo do mercado.
"Eles batem na porta com um carro forte dizendo: 'Se você não aceitar o valor que nós estamos comprando, nós vamos queimar tudo. A gente sequestra a sua família, a gente mata seu filho'".
Tralli conta também que, segundo empresários do setor de combustíveis, hoje 40% de todo o mercado de álcool e de 25% a 30% do mercado de gasolina estão nas mãos do crime organizado.
O jornalista diz que empresários do setor no interior de São Paulo começaram a fazer as denúncias de que o crime organizado atuava para expulsá-los e tomar conta do setor. E que foi, a partir dessas denúncias, que a investigação ganhou mais tração, há um ano.
"Eu perguntei a vários investigadores: é o PCC que está em tudo? É o PCC que está tomando conta de tudo? Eles disseram que não. Tem PCC, mas tem outros grupos criminosos que se fortaleceram, se criaram e fizeram fortuna nesse esquema de adulteração de combustível. E alguns desses grupos se comunicam com o PCC na lavagem de dinheiro, na distribuição do combustível batizado, na compra de rede de postos."
Fonte G1

