Jalles Machado vê melhora de condições de lavouras e prepara avanço da colheita
16-02-2022
A Jalles Machado vai ampliar a área de colheita de cana na próxima safra (2022/23) e já vê condições climáticas melhores em suas lavouras depois das chuvas dos últimos meses, segundo o diretor financeiro da companhia, Rodrigo Penna de Siqueira, em teleconferência com analistas sobre os resultados do 3º trimestre.
Na próxima temporada, a área para colheita deve ser ampliada em 1.300 a 1.400 hectares, afirmou. Quanto à produtividade, ele ressaltou que ainda faltam três meses para acabar o período chuvoso, que é definidor para o rendimento agrícola, mas disse que até agora as chuvas foram boas.
"Em janeiro, a chuva foi até exagerada, porque no fim de dezembro já estava chovendo muito e teve menos sol que o desejado. Mas no contexto geral, estão muito positivas as chuvas até aqui", afirmou. Ele acrescentou que as condições "sanitárias" de seus canaviais estão "muito boas", mesmo com as chuvas mais elevadas, que geralmente favorecem mais pragas.
Se as chuvas não frustrarem a expectativa para o desenvolvimento dos canaviais nos próximos três meses, é possível que a companhia amplie a moagem de cana, em meio a um cenário de preços ainda sustentados de açúcar e etanol. Na avaliação de Siqueira, os preços do etanol devem se recuperar na próxima safra, após a recente queda nos últimos meses por causa da redução do consumo.
"Achamos que o etanol vai recuperar, não vai ficar nos níveis em que está", afirmou. Ele ressaltou, porém, que o consumo de etanol hidratado terá que subir agora para 1,4 bilhão de litros mensais em fevereiro e março, e estima que ainda assim os estoques de passagem do biocombustível serão "um pouco maiores do que o ideal, que seria 1 bilhão de litros de hidratado".
Para o açúcar, a expectativa é de que que os preços "gravitem", entre os 16,60 centavos de libra-peso e 16,70 centavos de dólar a libra-peso, como piso, e os 20 centavos de libra-peso, como teto.
O "piso" seria dado pelo preço do etanol no mercado doméstico, abaixo do qual estimularia as usinas brasileiras a reduzirem a produção de açúcar para aumentar a do biocombustível. Já o "teto" é dado pela paridade de exportação de açúcar na Índia, o que estimularia o país a disponibilizar volumes adicionais ao mercado internacional.
Açúcar orgânico
A companhia deve aproveitar preços mais elevados de açúcar do que os projetados para o mercado, já que seu açúcar orgânico rende "prêmios" em relação às cotações internacionais. Nesta safra, o produto ficou "encalhado" em seus estoques por causa da crise no transporte marítimo global, mas a companhia espera concluir os embarques do adoçante produzido nesta safra até junho -- antes do início da fabricação do açúcar orgânico da temporada seguinte.
Até dezembro, as receitas com o açúcar orgânico seguiram fracas por causa da crise no transporte marítimo, marcada pelo enxugamento a oferta de contêniteres e navios e pela disparada dos custos com frete. Apesar disso, cerca de 95% da oferta de açúcar orgânico desta safra já está comercializada.
O problema global nos fluxos marítimos também não desestimula a companhia a continuar apostando no açúcar orgânico. Para a próxima safra, a Jalles Machado vai ampliar sua área de produção de cana orgânica para 23 mil hectares, ante 20 mil hectares nesta safra (cerca de um terço do canavial da companhia).
Além do benefício com o "prêmio" sobre os preços do açúcar bruto, a produção orgânica também reduz a dependência da companhia de fertilizantes químicos e agrotóxicos, cujos custos dispararam nesta safra e pressionaram as margens de concorrentes.
M&A e dividendos
Siqueira reforçou que a Jalles Machado deve realizar "algum anúncio" sobre uma operação de fusão ou aquisição ainda neste último trimestre da safra 2021/22, mas não deu mais detalhes.
Ele também reiterou que a empresa segue tocando em paralelo seu plano de expansão de capacidade de 1 milhão de toneladas em suas duas usinas em Gianésia (GO) e que, com estes aportes, a Jalles Machado deve manter uma distribuição de dividendos de 25% do lucro líquido, e não de 40%, como preconiza sua política de dividendos. "A ideia é não ficar com alavancagem maior que 2 a 3 vezes a dívida sobre o Ebit", disse o executivo.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA

