Mercado de CBios mantém trajetória de queda e excesso de oferta domina perspectivas, indica Itaú BBA
05-12-2025

Revisão do balanço do RenovaBio mostra estoques crescentes em 2025 e 2026 e ausência de fatores que sustentem alta de preços

Por Andréia Vital

O mercado de CBios encerrou novembro em seu ponto mais baixo do ano, refletindo um ambiente marcado por forte geração de créditos e baixa pressão compradora. Conforme atualização da Consultoria Agro do Itaú BBA, o valor médio negociado caiu para R$ 32,5 por unidade na B3, movimento que reforça a tendência de desvalorização observada ao longo de 2025. A consultoria avalia que “os preços devem seguir em patamares reduzidos” diante da manutenção de estoques volumosos e da ausência de choques positivos na demanda.

A instituição revisou suas projeções para o RenovaBio e identificou superávit expressivo entre a oferta e as metas de descarbonização. Para 2025, a geração prevista subiu para 42,6 milhões de CBios, impulsionada pela maior produção de etanol no Centro-Sul e pelo avanço da entrega de biodiesel ao longo do ano. Mesmo com inadimplência menor entre distribuidoras, o estoque final deve atingir 17,1 milhões de créditos, ampliando o volume já elevado de 2024.

O cenário para 2026 repete a mesma lógica. A oferta deve chegar a 44,6 milhões de CBios, enquanto as metas individualizadas permanecem em 52,5 milhões diante da falta de atualização pelo CNPE. Ainda assim, o Itaú BBA projeta novo acúmulo de títulos, já que o cumprimento das metas costuma ficar abaixo de 100%. A consultoria observa que, caso as distribuidoras cumprissem integralmente as obrigações, ainda haveria sobra de cerca de 9 milhões de créditos.

No mercado, novembro registrou aumento de liquidez, com 7,70 milhões de CBios negociados, mas a elevação do volume não se traduziu em recuperação de preços. A emissão mensal somou 3,56 milhões de créditos, número inferior ao de outubro, embora o acumulado do ano até novembro tenha alcançado 39,35 milhões.

Até o fim de novembro, a parte obrigada havia aposentado 24,99 milhões de CBios no ano-meta e mantinha 14,31 milhões em carteira. Os emissores, por sua vez, detinham 15,67 milhões, formando um estoque total de 30,7 milhões de créditos disponíveis no mercado.

Segundo o Itaú BBA, uma mudança relevante no comportamento dos preços só ocorreria mediante dois movimentos. O primeiro seria a redução consistente da inadimplência, impulsionada por maior atuação da ANP e por decisões judiciais. O segundo seria o aumento das metas compulsórias de descarbonização, diante do avanço das misturas de combustíveis fósseis. Enquanto essas condições não se concretizam, o mercado segue ancorado em excesso de oferta e baixa valorização.