Mercado de ureia resiste a choque geopolítico e mantém preços estáveis na América do Sul
14-01-2026
Incerteza sobre oferta venezuelana persiste, mas efeitos imediatos nos preços foram limitados segundo análise da Argus
Por Andréia Vital
A escalada de tensão envolvendo Estados Unidos e Venezuela não provocou impacto direto sobre os preços da ureia granulada nos mercados sul-americanos acompanhados pela Argus. A avaliação é de Renata Cardarelli especialista em grãos e fertilizantes da consultoria que destaca a permanência das incertezas quanto à disponibilidade futura do produto venezuelano e às condições comerciais em que eventuais cargas poderão ser ofertadas.
A Venezuela possui capacidade produtiva próxima de 3 milhões de toneladas por ano de ureia sendo cerca de 2,2 milhões de toneladas de ureia granulada e aproximadamente 792 mil toneladas de ureia perolada de acordo com dados da Argus. Apesar desse potencial participante do mercado na Argentina, Bolívia e Brasil avaliam que ainda é prematuro estimar efeitos mais amplos sobre a oferta regional.
Segundo a análise existe a possibilidade de produtores de outros países da América do Sul ajustarem preços para incorporar o risco associado à compra de produto venezuelano. Ainda assim não houve reação imediata das cotações à incerteza política.
No Brasil os preços registraram leve alta por fatores específicos do mercado de fertilizantes. O preço diário da Argus para ureia granulada foi indicado entre US$ 415 e US$ 425 por tonelada cfr Brasil em 5 de janeiro acima do intervalo de US$ 410 a US$ 420 por tonelada observado em 2 de janeiro. O movimento refletiu desdobramentos do leilão indiano realizado em 5 de janeiro no qual as ofertas mais baixas ficaram em US$ 424,80 por tonelada cfr costa oeste e US$ 426,80 por tonelada cfr costa leste superiores aos valores do certame anterior de 20 de novembro.
A liquidez segue reduzida nos principais mercados sul-americanos. No Brasil a proximidade do plantio da segunda safra de milho 2025/26 pode gerar demanda pontual ao longo de janeiro embora a maioria dos importadores permaneça fora do mercado. Na Argentina a necessidade de aquisição de nitrogenados para o trigo cujo plantio começa em maio ainda não se traduziu em compras relevantes enquanto produtores priorizam as atividades de campo. No Paraguai a busca por fertilizantes para a soja 2025/26 ocorre com foco maior no sulfato de amônio como fonte de nitrogênio.

