Meteorologia sugere mais etanol e preço maior do açúcar

Meteorologia sugere mais etanol e preço maior do açúcar

Alguns modelos de previsão climática indicam chuvas acima do normal nos canaviais da região Centro-Sul nos primeiros meses da próxima temporada, o que sugere produção de mais etanol e menos açúcar.

A água mais morna no Oceano Pacífico deve permitir o avanço de chuvas do sul do país para a região central no período mais seco que se inicia em maio, explicou Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, em entrevista por telefone.

"Nossos modelos começam a indicar mais chuvas entre maio e junho", disse outra meteorologista, Ludmila Camparotto, da Rural Clima, em Valinhos, no interior paulista. Segundo ela, a expectativa é de precipitação acima da média no sul e centro do Estado de São Paulo e no Mato Grosso do Sul.

Isso beneficiaria o crescimento dos canaviais prejudicados pelo tempo seco em dezembro e janeiro, mas provavelmente reduziria os níveis de sacarose e, portanto, de produtividade da indústria na fabricação de açúcar, disse Luiz de Carvalho, diretor da consultoria Canaplan, em São Paulo. "Quando chove mais, a planta converte sacarose em glucose e frutose, que são mais conversíveis em etanol", afirmou Carvalho.

Mas a projeção de mais chuvas no período não é consenso. Se o fenômeno El Niño persistir mesmo depois de junho, a área central do País -- incluindo Goiás e Minas Gerais - provavelmente continuará com temperatura elevada e baixa humidade, acredita Ryan Truchelut, presidente da Weather Tiger, em Tallahassee, na Flórida. "Basicamente em todo o trecho no lado leste ao norte de São Paulo'', disse ele.

"Neste momento, esperamos que as chuvas mais intensas se concentrem no sul do Brasil à medida que o El Niño dura mais uns meses", afirmou por e-mail Kyle Tapley, especialista em meteorologia agrícola da Radiant Solutions, em Gaithersburg, no Estado americano de Maryland. "Ainda esperamos chuvas no Centro-Sul, mas não chuvas acima do normal."

Se o tempo no meio do ano for de fato mais chuvoso, as usinas dificilmente conseguirão elevar a produção de açúcar em 3 milhões ou 4 milhões de toneladas, conforme apontaram estimativas recentes, disse Carvalho, da Canaplan.

Como Índia, Tailândia e Europa estão reduzindo a produção açucareira neste ano, o Brasil novamente definirá os preços no mercado global, acrescentou ele. "Embora nós acreditemos na alta dos preços internacionais do açúcar mesmo se o Brasil aumentar a produção, a perspectiva seria mais otimista se a safra receber mais chuvas"

Bloomberg