MT: estado se consolida como polo gerador
03-05-2021
O futuro da bioenergia passa pelo Mato Grosso, que se consolida como principal polo de produção de etanol de milho no Brasil. São cerca de 15 usinas no Estado. A produção de grãos tem levado empresas a investir em projetos de bioenergia a partir de grãos num momento em que o programa RenovaBio, que tem como um dos pilares a emissão e a aquisição de créditos de descarbonização (C-Bios), torna-se um nicho de mercado que poderá movimentar bilhões de reais nos próximos anos.
O programa criado pelo governo federal em 2017, prevê que as distribuidoras de combustíveis podem adquirir C-Bios para compensar as emissões relacionadas às vendas de combustíveis fósseis. O RenovaBio faz com que as usinas mais eficientes sejam capazes de gerar mais C-Bios, o que incentiva os produtores a investirem na maximização de sua produção e eficiência, que pode estimular investimentos em bioeletricidade e etanol de segunda geração.
Aquisição de créditos de descarbonização (C-Bios) pode movimentar bilhões de reais nos próximos anos
A FS Bioenergia é uma das quatro maiores produtoras de bioenergia do país. No fim de fevereiro, entrou em operação a terceira etapa de expansão da unidade de Sorriso, resultado de R$ 500 milhões investidos para elevar em 285 milhões de litros sua produção e alcançar um total de 800 milhões de litros. A demanda crescente por etanol e a maior produção de milho do país levaram a empresa a investir no Estado. "Cerca de 30% da receita é complementar ao etanol e está ligada a produtos para nutrição animal", afirma o presidente, Rafael Abud.
A bioeletricidade, cuja geração de energia elétrica é feita a partir do processo de cogeração das caldeiras, é outra fonte de receita. A empresa vende para o mercado livre cerca de metade da energia elétrica gerada nas duas unidades no Mato Grosso.
A FS Bioenergia trabalha na expansão de sua produção, com a construção de outras quatro unidades, sendo duas com licenças de instalação obtidas (Campos Novo dos Parecis e Nova Mutum) e duas em processo de licenciamento (Primavera do Leste e Querência). "Serão instalados ao longo dos próximos anos. Nossa meta atual é consolidar a operação em Sorriso, que é muito nova, a ideia é iniciar a terceira unidade em dois anos", destaca Abud.
Nesse momento, um estudo sobre o mercado de milho e a logística está sendo refinado para apoiar a decisão de investimento. A próxima unidade pode ter produção superior a 500 milhões de litros, sendo que poderá ser expandida depois de concluída sua instalação.
A empresa também inovou no mercado financeiro. Maior produtora de etanol de milho do país, captou US$ 550 milhões por meio de "green bonds" no fim do ano passado. Os papéis saíram com uma taxa de retorno de 10% e têm vencimento em cinco anos.
A demanda pela emissão, que teve como único coordenador o Morgan Stanley, ficou próxima de US$ 1 bilhão. Foi a primeira emissão de dívida da empresa no mercado externo. Em janeiro, foi reaberta a operação e se obtiveram US$ 50 milhões, com uma demanda seis vezes superior. Cerca de dois terços das ofertas foi comprada por investidores internacionais.
A FS Bioenergia está de olho no mercado de negociação de créditos de carbono e na exportação de etanol para o mercado de Califórnia. Hoje a empresa trabalha com produtores de milho que têm em torno de 1,5 milhão de hectares, sendo que um terço é destinado às operações da empresa.
Cerca de um terço das áreas desses fazendeiros é destinada à preservação ambiental. "Além da nossa geração de crédito de carbono, estamos também olhando toda a cadeia, o potencial de geração de carbono", aponta o executivo. O desafio desse segmento, segundo ele, é a criação de um mercado mundial, já que hoje existem cerca de 60 mercados no mundo, com diferentes preços, uns com governos à frente, outros com empresas.
Recentemente, a Maracajá Bioenergia obteve licenciamento prévio ambiental para a instalação de uma usina de etanol de milho na cidade de Matupá, a 700 km de Cuiabá. O projeto deve gerar mais de 800 empregos diretos e outros milhares de indiretos, além do investimento privado de R$ 250 milhões. "É o primeiro passo para a instalação do empreendimento, que deve ter pelo menos 150 empregos diretos. Esperamos que em dois anos ou um pouco mais a unidade já esteja operacional", diz o prefeito, Fernando Zafonato.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA

