Multas a caminhões canavieiros sobem 189% no início da safra da canavoltar

Publicado em : 14/07/2014
Multas a caminhões canavieiros sobem 189% no início da safra da cana


"Cana a mais na carroceria faz com que pedaços sejam espalhados pelas rodovias. Isso pode causar acidentes, com risco maior para motocicletas. O motorista também pode se assustar e perder o controle do veículo"

O número de multas a motoristas de caminhões que carregam cana-de-açúcar nas rodovias do interior do Estado cresceu 189%, de 412 para 1.192, entre maio e junho deste ano em relação ao mesmo período de 2013.

As ações de fiscalização também registraram aumento, de 191%. Foram 116 operações, em maio e junho de 2013, e 338 nos mesmos meses de 2014.

As informações da Polícia Rodoviária abrangem 202 municípios e uma malha viária de 5.762 km nas regiões de Araraquara, Ribeirão Preto, Rio Claro e São José do Rio Preto. A ampliação de ações ocorre nos primeiros meses da safra, iniciada em abril.

O capitão do 3º Batalhão de Polícia Rodoviária da região de Ribeirão (313 km de São Paulo), Frederico Ribeiro de Abreu, afirma que o aumento de multas se deve, entre outros fatores, à resolução número 441 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), de maio de 2013.

A norma determina que caminhões com carrocerias abertas protejam a carga com lonas, redes ou dispositivos similares para evitar que pedaços de cana sejam derrubados nas rodovias.

A resolução só passou a vigorar no final do primeiro semestre do ano passado, ou seja, não houve autuações em maio e junho de 2013 para quem desrespeitou essa norma. Já nos mesmos meses deste ano, isso ocorreu.Concessionárias de rodovias dizem atuar para conscientizar motoristas e usinas.

A infração é considerada grave (multa de R$ 127,69) com autuação de cinco pontos na CNH do motorista. O veículo também é retido para regularização.

De acordo com ele, a polícia verifica também se os motoristas não estão cometendo outras infrações, como andar com documentação vencida e se os caminhões estão com todos os itens e equipamentos obrigatórios e em perfeito funcionamento.

"A polícia fiscaliza ainda o respeito aos limites de velocidades e as ultrapassagens feitas em locais proibidos", informou o capitão.

José Roberto Ribeiro, diretor do sindicato dos condutores de veículos rodoviários da região de Ribeirão, confirma que muitos motoristas desrespeitam as leis de trânsito e que é preciso haver mais conscientização da categoria.

No entanto, Ribeiro afirma que a obrigatoriedade de os caminhões protegerem as cargas é muito rigorosa.

"Os caminhões andam em baixa velocidade. E, quando cai cana, não são pedaços grandes. Não chega a atrapalhar o tráfego. O problema é que providenciar esse tipo de material dá muito trabalho ao caminhoneiro", diz.

Ele afirma também que houve intensificação da fiscalização da Lei do Descanso (12.619/2012), em vigor desde o ano passado, e estabelece que os caminhoneiros têm de parar por 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas.

Os motoristas têm ainda direito a intervalo mínimo de 11 horas ininterruptas a cada 24 horas trabalhadas. "Muitos preferem arriscar e acabam penalizados", afirma Ribeiro.

Concessionárias dizem alertar motoristas de caminhão sobre excesso de carga

As concessionárias que administram rodovias na região de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) informaram que desenvolvem ações e que tomam medidas para fazer com que o tráfego de caminhões canavieiros seja o mais seguro possível.

O gerente de operações da Vianorte, Luciano Louzane, disse que o principal problema desse tipo de veículo é o excesso de carga.

"Cana a mais na carroceria faz com que pedaços sejam espalhados pelas rodovias. Isso pode causar acidentes, com risco maior para motocicletas. O motorista também pode se assustar e perder o controle do veículo", afirmou.

Louzane informou que a concessionária realiza todos os anos um encontro com representantes das usinas para mostrar os riscos do excesso de carga nos caminhões.

Em nota, a Tebe informou que também faz reuniões com representantes das usinas e com a polícia para alertar, entre outros assuntos, sobre o excesso de carga e também sobre o derramamento de cana-de-açúcar nas rodovias.

Entre os problemas causados por esse tipo de transporte, a concessionária relatou que a queda de pedaços de cana podem entupir canaletas de escoamento de água das chuvas e provocar aquaplanagem, aumentando os riscos de acidentes.

A Triângulo do Sol informou, também por meio de nota, que as ações da polícia refletem positivamente no tráfego das rodovias que administra.

A reportagem entrou em contato com a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), mas a entidade não comentou sobre o assunto.




Fonte: Folha de S. Paulo
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