Murcha da cana muda expectativa de safra na Atvos e reforça busca por estratégias de manejo
01-10-2026
O impacto da Síndrome da Murcha da Cana (SMC) sobre a produtividade (TCH) nas unidades da Atvos foi um dos destaques da apresentação de Inayê Parente Almeida Campos, especialista de Experimentação Agrícola e Fitossanidade da empresa, durante o 1º Grande Encontro de Doenças da Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana.
Segundo ela, a dimensão do problema ficou evidente em 2024, quando a Atvos iniciou aquela safra com TCH acima do planejado e chegou a projetar que poderia haver cana sobrando ao final do ciclo. Entretanto, a presença de canaviais tomados pela síndrome da murcha reduziu a produção final em 10%.
A partir desse cenário, a empresa intensificou os levantamentos. Na safra atual, foram avaliados 107 mil hectares, com incidência média de infecção de 14,5%. Em 40% da área, o índice ficou acima de 15%, considerado pela empresa como gatilho para antecipar a colheita.
“O interessante é que quase metade dos casos identificados só foi encontrada após a abertura dos colmos. Ou seja, observar apenas os sintomas externos poderia levar a uma subestimativa da presença da doença”, frisou a profissional.
Considerando a incidência encontrada e uma estimativa conservadora de perdas, a Atvos calculou um impacto potencial de 658 mil toneladas de cana na área avaliada.
Diante desse cenário, experimentos de manejo foram conduzidos em diferentes unidades, testando fungicidas e estratégias de aplicação. Nos 13 ensaios consolidados, o tratamento proporcionou redução média de 52% nos colmos doentes e de 35% nos colmos mortos, em comparação com a testemunha não tratada.
Os resultados também indicaram ganhos produtivos e de qualidade. No TAH, o ganho médio foi de aproximadamente 1 tonelada por hectare, enquanto a recuperação de açúcar (ATR) apresentou aumento médio de 8 kg/t. O TCH médio ficou cerca de 4 toneladas acima da testemunha, embora alguns tratamentos tenham apresentado resultados ainda superiores.
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