No comando da UE, Finlândia propõe proibir a carne brasileira
27-08-2019

A Finlândia é o primeiro país europeu a propor formalmente que a União Europeia (UE) investigue a possibilidade de proibir a entrada de carne bovina brasileira no mercado comum europeu, em reação às queimadas na Amazônia.

A posição finlandesa é ainda mais incisiva porque o país está atualmente na presidência rotativa da União Europeia e controla a agenda comunitária. E a iniciativa agora é impulsionada pelo ministro de Finanças, Mila Lintila, que preside a ”Coalizão de Ministros de Finanças para Ação sobre o Clima”, que envolve vários países.

A Finlândia não é um país protecionista, bem distante das posições comerciais da França e da Irlanda e importa volume insignificante de carne bovina brasileira ou do Mercosul.

A sanção contra o Brasil é oficialmente motivada pela reação internacional às queimadas na Amazônia. O primeiro a se manifestar nas redes sociais foi o presidente Sauli Niinisto, dizendo que a crise na Amazônia necessitava de cooperação internacional. Depois o primeiro-ministro Antti Rinne disse que as queimadas eram uma ameaça para todo o planeta e não apenas para o Brasil ou América do Sul.

”Quando se trata de mudança climática, a situação é extremamente séria e precisamos agir rapidamente”, afirmou o primeiro-ministro.

te sábado, veio a posição formal da Finlândia, com o ministro de finanças sugerindo claramente sanção contra a carne bovina brasileira.

”Medidas efetivas são agora requeridas da parte da UE”, disse ele, em mensagem publicada no site do ministério. ”Na minha capacidade de chefe do Conselho de Assuntos Econômicos e Financeiros (da UE), estou preparado para levantar a discussão com os ministros de finanças europeus no nosso encontro em setembro em Helsinque, se progressos não tiverem ocorrido antes disso”.

Esta semana, quando surgiram as primeiras informações sobre um pedido finlandês contra o Brasil, a Comissão Europeia respondeu que iria esperar a proposta formal para examinar a situação.

A possibilidade de mobilizar a UE para impor sanções ao Brasil foi crescendo e finlandeses começaram a examinar inclusive se a Europa podia usar um artigo da Organização Mundial do Comércio (OMC) para proteger o meioambiente. É o mesmo artigo que o Brasil usou, por exemplo, para interditar a entrada de pneu usado europeu no mercado brasileiro, há alguns anos. Mas usar essa regra num caso de desmatamento seria extremamente complicado e difícil de sustentar.

Além disso, politicamente uma sanção contra produto brasileiro elevaria ainda mais o antagonismo entre o Brasil e a Europa. Dificilmente a Alemanha, com enormes interesses industriais no Mercosul, deixará que a proposta finlandesa avance, na avaliação de certos especialistas que conhecem bem o funcionamento da UE.

O fato é que já aparece proposta concreta na mesa de sanção contra o Brasil, numa sinalização de que o que é ruim só tende a piorar.

Fonte: Valor Econômico.