Operação concentra custo e define eficiência na cana
19-03-2026

Botão diz que gestão no campo supera insumos na redução de gastos

Andréia Vital

João Rosa Botão, consultor do Pecege Consultoria e Projetos, afirmou que a principal alavanca de eficiência na produção de cana-de-açúcar está na operação, que concentra parcela relevante dos custos. O especialista apresentou os dados no 27º Seminário de Mecanização e Produção de Cana-de-Açúcar do Grupo IDEA, realizado nesta quarta (18) e quinta-feira (19), em Ribeirão Preto - SP. “Praticamente 50% do que eu invisto no custo de produção está na operação”, disse.

Na formação do canavial, as operações já superam os insumos, com participação de 52,7% no custo total, ante 42,6% de insumos. O custo operacional médio do sistema chega a R$ 175/t ou R$ 1,2933/kg de ATR, com produtividade de 75,5 t/ha e ATR de 135,68 kg/t.

Os indicadores operacionais mostram rendimento médio de 9,9 horas de corte por dia, com capacidade de 504,5 t/dia por máquina e velocidade média de 4,5 km/h. Em operações mais eficientes, a jornada alcança 12 a 13 horas diárias. “Boas empresas fazem de 12 a 13”, afirmou.

O consumo médio de diesel é de 0,91 litro por tonelada, com participação relevante nos custos do sistema de colheita, que pode atingir R$ 48,3/t. Diesel e manutenção somam cerca de R$ 12,0/t e R$ 11,8/t, respectivamente.

O levantamento também mostra perdas operacionais relevantes. Apenas 42% do tempo das máquinas é dedicado ao corte, enquanto 36% correspondem a horas perdidas, ligadas a fatores como espera por transbordo e paradas operacionais.

De acordo com ele, ganhos de eficiência impactam diretamente a estrutura de ativos. Em uma operação com 3 milhões de toneladas por safra, uma hora adicional de colheita pode reduzir de duas a três colhedoras no sistema. A base analisada reúne 44 grupos, 91 unidades e 119,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com 1.656 colhedoras e 3.709 tratores transbordo, evidenciando ampla dispersão de desempenho entre operações.

Para Botão, a redução de custos ainda é frequentemente direcionada aos insumos, mas a maior alavanca está na execução operacional. “É fácil fechar o orçamento na planilha. O problema é se isso resolve o problema”, ressaltou.

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