Para conter efeitos da crise, Usina São João, de Araras, poderá bisar canas menos produtivas
20-04-2020
Companhia mantêm estimativas de produção e moagem. Mix deverá sofrer reajustes
Leonardo Ruiz
As expectativas para a safra 2020/21 estavam altas na Usina São João – USJ, localizada no município paulista de Araras. Quando o orçamento e o plano de trabalho para o ciclo foram finalizados em março, havia perspectiva de resultados econômicos positivos, com geração de receita para contrapor o endividamento e consolidar os planos de recuperação da agroindústria.
Na agrícola, as chuvas bem distribuídas permitiram bom desenvolvimento dos canaviais, que se apresentavam com melhores condições de produtividade do que no ano anterior. Na indústria, a decisão era a de destinar a maior parte da cana para produção de etanol, cujos preços estavam favoráveis. A demanda por açúcar também estava aquecida. “Em outras palavras, um cenário extremamente otimista como há tempos não víamos”, relatou o diretor de produção agroindustrial da usina, Humberto César Carrara Neto.
No entanto, a forte queda no consumo de etanol, em decorrência da pandemia de Coronavírus (Covid-19), aliada a diminuição do preço do barril de petróleo no mercado mundial afundaram as expectativas da companhia. “No exato momento em que as condições agrícolas e econômicas apontavam para o início de uma recuperação, há um novo choque, que com certeza mergulhará o segmento em uma nova crise.”
De acordo com Carrara Neto, a safra agrícola na USJ já estava configurada antes da pandemia. Dessa forma, a previsão de moagem deve ser mantida em 3,4 milhões de toneladas com uma produtividade média esperada de 84 toneladas de cana por hectare (TCH). Porém, as projeções de produção foram revisadas e o mix alterado para incrementar a produção de açúcar – de 4,4 para 4,9 milhões de sacos - e reduzir um pouco a de etanol – de 129.450 m³ para 112.661 m³.
O profissional relata que duas são as maiores preocupações da USJ neste momento. A primeira é que, apesar de todos os cuidados sanitários e providências implantadas, ainda há algum risco de os funcionários das áreas produtivas se contaminarem, o que poderia levar ao afastamento do trabalho e interrupção de atividades em plena safra. A segunda preocupação diz respeito às incertezas quanto ao futuro. “Por exemplo, quanto tempo levará para a demanda de combustível voltar ao normal?”
Para tentar conter os prejuízos, a usina deverá adotar algumas atitudes operacionais. Com margens deprimidas, provavelmente a cana de 12 meses (menos produtiva) será colhida somente na próxima safra. Se necessário, haverá redução da área de plantio e também diminuição na aplicação de insumos no tratamento de socas. “Sabemos que são medidas que cobrarão um ‘pedágio’ mais adiante, representado pela perda de produtividade futura, obrigando a um período de recuperação mais extenso.”
Além da readequação do mix de produção, a indústria não deverá sofrer reajustes no momento, apenas no caso de demora na retomada da economia e normalização da situação. “Neste caso, poderemos adotar medidas para reduzir os custos de manutenção na entressafra.”
Fonte: CanaOnline

