Raízen quer construir três novas usinas de etanol celulósico, diz Ometto
17-03-2021

O empresário Rubens Ometto, da Cosan, disse hoje (16) em Live do Valor que a Raízen, que o grupo controle em conjunto com a Shell, pretende construir mais três usinas de etanol celulósico --- ou de segunda geração. Atualmente, a joint venture possui uma usina com essa tecnologia, em Piracicaba, colada à usina de primeira geração Costa Pinto, construída em 2014.

"Queremos fazer três usinas desse tamanho, com produção de 300 milhões de litros adicionais de álcool de segunda geração", afirmou.
Segundo Ometto, o etanol de segunda geração, que utiliza como matéria-prima bagaço e palha de cana, tem grande demanda no mercado internacional. "Empresas como Shell, Exxon-Mobil, Total, todas elas têm o maior interesse em adquirir esse etanol dado o sequestro de carbono que ele tem", ressaltou.

O fundador da Cosan afirmou que a tecnologia de produção do etanol celulósico na Usina Costa Pinto é resultado ainda da parceria da Shell com a canadense Iogen, especializada em biotecnologia. Desde o início das operações, a Raízen ainda desenvolveu soluções tecnológicas próprias para contornar as dificuldades do processamento do bagaço e da palha da cana. Na última safra (2019/20), a unidade de Piracicaba alcançou uma produtividade de 226 litros de etanol para cada tonelada de biomassa em base seca.

Para Rubens Ometto, as medidas de isolamento social são necessárias para combater a pandemia no Brasil. "Um lockdown curto tem que ter. A velocidade da propagação da doença é enorme, as pessoas têm que ter mais responsabilidade", disse na Live do Valor desta segunda-feira.

O empresário afirma que não quer entrar na polêmica do embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o governo de São Paulo, João Doria, e diz que também tem uma grande preocupação com os impactos na economia. "O povo precisa comer, produzir, de emprego. É preciso ter um equilíbrio", afirmou.

Ometto também defendeu a possibilidade de a iniciativa privada comprar vacinas. "Sou pragmático. Acho que a iniciativa privada seria muito mais eficiente [na compra de vacinas], não tem amarras de controle. O mais importante agora é a vida humana. A iniciativa privada é muito mais ágil. Pode haver alguma compensação, em dinheiro ou em vacinas para o governo, mas sou a favor. Você vai desafogar filas, ter mais vacinas", disse. Segundo o empresário, a Cosan tem "diretores envolvidos" nessas negociações.

Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA