Raízen sai de lucro para prejuízo ajustado de R$ 96,7 milhões no 2º tri
13-11-2024
Empresa encerrou período com prejuízo líquido ajustado de R$ 96,7 milhões e um aumento em sua dívida
Por Camila Souza Ramos — São Paulo
A Raízen acertou a venda de R$ 381 milhões em cana-de-açúcar para a Usina Alta Mogiana, em São Joaquim da Barra (SP), após encerrar o segundo trimestre da safra 2024/25 com prejuízo líquido ajustado de R$ 96,7 milhões e um aumento em sua dívida, conforme balanço divulgado ontem.
A companhia vai transferir à companhia vizinha de seu ‘cluster’ em Ribeirão Preto (SP) 900 mil toneladas de matéria-prima, somando cana da própria Raízen e a cessão de contratos de fornecedores terceirizados. A região de Ribeirão Preto foi uma das mais afetadas pelos incêndios em canaviais entre agosto e setembro.
A Raízen informou que os incêndios afetaram aproximadamente 6 milhões de toneladas de cana própria e de fornecedores, o que representou 7% do previsto inicialmente para esta safra. Com isso, a companhia espera que a moagem de cana desta temporada termine entre 78,5 milhões de toneladas e 80 milhões de toneladas.
A expectativa da joint venture entre Cosan e Shell é receber R$ 300 milhões líquidos com a operação com a Usina Alta Mogiana ainda nesta safra. A Raízen citou em comunicado ao mercado que a redução do endividamento era um dos objetivos da operação — além de “reciclagem do portfólio de ativos” e “aumento da eficiência logística e agroindustrial no cluster” local.
A dívida líquida da companhia no fim do segundo trimestre era 13,7% maior do que no encerramento do trimestre anterior, alcançando R$ 35,9 bilhões. Com isso, a alavancagem subiu de 2,3 vezes para 2,6 vezes entre os dois trimestres. A companhia ressaltou que o aumento da dívida nessa época é sazonal, por causa do maior consumo de caixa para capital de giro e investimentos em bens de capital (Capex).
No trimestre, a companhia emitiu US$ 1 bilhão em “green bonds” para apoiar seus investimentos em etanol de segunda geração (E2G) e outras iniciativas que reduzem as emissões de carbono.
No segundo trimestre, o Capex total foi de R$ 2,3 bilhões, 3,9% a mais do que um ano antes. Com isso, a geração primária de caixa (Ebitda sem o Capex) recuou 9%, para R$ 2,3 bilhões.
A piora dos resultados do trimestre refletiram a queda nas margens das operações de Mobilidade (refino e distribuição na América Latina) e Renováveis (etanol e energia elétrica), além de uma maior despesa contábil de imposto de renda. Em compensação, a Raízen
Além dos recursos oriundos da venda da cana para a Alta Mogiana, a Raízen também espera contar nesta safra com as vendas do etanol celulósico de duas novas plantas: a Univalem, em Valparaiso (SP), e a Barra, em Barra Bonita (SP). Ontem, a companhia informou que iniciou os testes e comissionamento das duas unidades.
“O efetivo início da produção e dos embarques aos clientes já contratados deverão acontecer ainda nesta safra 2024/25”, informou. As unidades precisarão também obter todas as licenças e autorizações necessárias, incluindo da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Se as duas plantas começarem suas operações neste ciclo, a Raízen terá de forma operacional 278 milhões de litros de E2G em capacidade instalada.
Fonte: Globo Rural

