Raízen: "Várias plantas de E2G em construção"
04-02-2022

Imagem: Divulgação/Raízen
Imagem: Divulgação/Raízen

O CEO da Raízen, Ricardo Mussa, afirmou ontem que a companhia tem "várias outras [unidades] de E2G [etanol de segunda geração] em construção" além da que ela já opera, localizada em Piracicaba (SP). A empresa anunciou no ano passado a construção de uma segunda unidade em Guariba, no polo de Araraquara (SP).

Na semana passada, o jornal local "Folha da Região" informou que a Raízen investirá R$ 1 bilhão para construir, anexa à sua usina em Valparaíso, uma nova planta de E2G, além de uma nova unidade de produção de biogás e da expansão da planta de cogeração de energia. Para viabilizar o aporte, o prefeito Carlos Alexandre Pereira (PSC) sancionou em 13 de janeiro uma lei que autoriza o município a conceder isenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) sobre investimentos em agroindústrias e outros setores.

Em sua participação no evento Latin America Investment Conference, organizado pelo Credit Suisse, Mussa não detalhou quantas nem quais unidades estão em construção. Procurada, a Raízen informou que a empresa está investindo em sua segunda planta já anunciada, em Guariba, e que a intenção de novos investimentos segue o que já foi divulgado em prospecto aos investidores na época do IPO. A companhia não comentou a informação sobre o investimento em Valparaíso.

Durante o evento que ocorreu de forma virtual, o executivo afirmou também que a Raízen já foi procurada por empresas indianas interessadas em obter mais informações mais sobre a tecnologia de produção E2G, que a companhia desenvolveu por conta própria. Segundo Mussa, essa tecnologia proprietária também pode ser exportada. "Isso ainda nem começou", disse.

Atualmente, a companhia vende o etanol celulósico e obtém "prêmio" em relação ao etanol de primeira geração. Mussa destacou o reconhecimento da tecnologia na Europa, onde o E2G é classificado como biocombustível avançado, já que não demanda aumento de área de cultivo de biomassa. "Conseguimos aumentar em 50% a produção [de etanol] sem precisar de 1 hectare a mais [com a produção de E2G]. Isso é eficiência", defendeu.

A companhia também aposta no crescimento da demanda industrial por etanol como novo mercado a ser explorado. Segundo Mussa, atualmente, uma "grande parte" da produção de etanol da companhia já vai para uso industrial, e não para utilização como combustível, em virtude do crescimento da demanda por produtos de origem sustentável entre as indústrias.

"Com a onda verde no mundo", a busca por combustíveis sustentáveis feita por empresas de setores como o químico e o farmacêutico está "derivando para o etanol. Isso traz para a gente novas demandas", disse. O executivo destacou a demanda por etanol para a indústria de plásticos, que também exige certificados de origem sustentável da matéria-prima. Segundo Mussa, a Raízen "nunca vendeu tanto certificado de cana [sustentável] como nos últimos dois anos". "Se você consegue certificar sua cana e mostrar que você tem produto sustentável, esse mercado tem um valor enorme".

O CEO da Raízen declarou ainda ver potencial na demanda por etanol celulósico para conversão em combustível sustentável de aviação (SAF) como forma de descarbonizar o transporte aéreo. Segundo Mussa, a produção de 1 litro de SAF demanda 1,7 litro de etanol. Na Europa, o SAF proveniente de biocombustíveis avançados, como o E2G, que só utilizam resíduos como matéria-prima, tem uma nota de redução de emissões duas vezes maior que um SAF com produto vegetal de origem convencional. "Começou a aparecer essa demanda, e não consigo ver outro caminho para o SAF [que não o etanol]. Tem um volume muito relevante", disse.

Com esses novos mercados para o etanol, o executivo disse que pode não haver oferta suficiente "nos próximos anos". "Hoje, a oferta do Brasil atende o mercado local [de combustíveis], mas tem muita demanda que vem de fora, de outros tipos de produto", afirmou. Para que seja possível vender a esses mercados, ele disse que será "fundamental" aumentar a produtividade das lavouras de cana.

Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA