Raízen vende operações na Argentina por US$ 1,42 bilhão
09-06-2026

Negócio integra estratégia de desalavancagem e reorganização do portfólio

A Raízen anunciou a venda de suas operações de distribuição de combustíveis na Argentina por US$ 1,42 bilhão, em mais um movimento voltado à reorganização financeira e à redução do endividamento. A transação envolve a alienação dos ativos de downstream do país para empresas controladas pelo grupo Mercuria Energy Group, uma das maiores tradings globais de energia e commodities.

Segundo comunicado divulgado pela companhia, o valor da operação inclui pagamento em caixa no fechamento do negócio e a assunção das dívidas da Raízen Argentina pelo comprador. O montante final poderá sofrer ajustes relacionados a capital de giro, endividamento líquido e outros mecanismos usuais em operações desse porte.

A venda ocorre em um momento de reestruturação financeira da companhia. Na quarta-feira (3), a Raízen já havia comunicado ao mercado a realização de assembleias com detentores de debêntures e certificados de recebíveis do agronegócio (CRA), como parte do processo de recuperação extrajudicial anunciado no fim de maio.

De acordo com a empresa, a alienação está alinhada à estratégia de simplificação da estrutura operacional e de concentração de investimentos em mercados considerados prioritários. Os recursos líquidos obtidos com a operação deverão ser destinados à gestão da estrutura de capital da companhia.

A operação contempla os ativos de distribuição e comercialização de combustíveis mantidos pela Raízen no mercado argentino. A conclusão da venda ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo aprovações regulatórias e judiciais exigidas pelas autoridades competentes.

Nos últimos meses, a companhia vem promovendo uma revisão de seu portfólio de ativos, buscando aumentar a eficiência operacional e reforçar a liquidez em meio ao cenário de maior pressão financeira enfrentado pelo grupo.

A venda das operações argentinas representa uma das maiores transações realizadas pela companhia nos últimos anos e reforça o movimento de desinvestimentos adotado para fortalecer o balanço financeiro. O mercado acompanha agora a evolução do plano de recuperação extrajudicial e os possíveis impactos das medidas de reestruturação sobre a alavancagem da empresa.

O fechamento da operação está previsto para ocorrer ainda no ano-safra 2026/27, após a obtenção das autorizações necessárias e a conclusão das etapas previstas no contrato firmado entre as partes.