Regiões Sul e Sudeste registram déficit na oferta de diesel; gasolina sobre 37% em maio
22-05-2020

Regiões Sul e Sudeste registram déficit na oferta de diesel, favorecendo a negociação entre distribuidoras, dinâmica que deve continuar até o fim do mês, informa a Argus.

Felipe Maciel, Guilherme Serodio e Larissa Fafá
Editada por Gustavo Gaudarde

— Situação causada pela gestão das refinarias da Petrobras, em busca de reequilíbrio do balanço de oferta e demanda. A Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo e a maior do país (415 mil barris/dia) suspendeu a produção de diesel S10 e outras unidades interromperam parcialmente a operação.

— “Não há refinarias totalmente paradas, apenas algumas unidades que as compõem. Essas unidades serão retomadas à medida que a demanda por combustíveis aumentar, de acordo com o planejamento integrado da Petrobras”, informou a Petrobras à agência.

— Negociação entre distribuidoras ocorrem com prêmio em relação aos preços de entrega de diesel na base da Replan. Oportunidades de arbitragem de importações estão fechadas, contudo, apesar do aumento de 8% nos preços do diesel, ainda segundo a Argus.

Nesta quinta (21), preços da gasolina comum entregue pela Petrobras sobem 12%, terceiro reajuste de maio, acumulando uma alta de cerca de 37% no mês. Apesar dos dois reajustes anteriores, de 11,88% (7/5) e 9,91% (14/5), importadores e analistas de mercado apontam que ainda há defasagem em relação aos preços internacionais.

— “Com o fim do isolamento em algumas cidades o consumo dos combustíveis está gradualmente aumentando, e com isto estamos verificando aumentos sucessivos nas cotações internacionais”, afirmou o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, à Reuters.

— Associação calcula defasagem de R$ 0,24 por litro de gasolina e de R$ 0,26 por litro de diesel. Seriam necessários reajustes da ordem de 18%.

— Alta na gasolina ajuda nas margens do etanol hidratado, que concorre com o combustível fóssil nos postos. A Unica, contudo, mantém o posicionamento que a situação das usinas é crítica, com preços e demanda menores em relação ao período pré-crise.

— O Indicador CEPEA/ESALQ para São Paulo aponta que o preço do hidratado do produtor, sem frete e impostos, subiu 7% entre as semanas de 24 de abril e 15 de maio, chegando a R$ 1,393. Preços superavam R$ 2 por litro em fevereiro.

Consumo de gás natural em março foi de 49,5 milhões de m³/dia, com queda de 14,28% na comparação com igual período de 2019. No 1º trimestre completo, subiu 2,82%, para R$ 62,9 milhões de m³/dia, em relação ao ano passado.

— “Com as medidas de isolamento se intensificando, já vemos isso em alguns estados, a tendência é que esses volumes caiam ainda mais (…) Abril, maio e junho serão impactados pelo efeito coronavírus”, afirmou Marcelo Mendonça, diretor de Estratégia e Mercado da Abegás, ao Valor, que antecipa o balanço nesta quinta (21).

A Comercializadora de Gás SA, controlada pela Cosan, foi autorizada esta semana a importar até 5 milhões de m³/dia de gás natural pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), da TBG. Autorização vale por três anos

— De acordo com a autorização do Ministério de Minas e Energia (MME), gás natural será utilizado para atender demanda dos consumidores livres e distribuidoras regionais atendidas pela malha de gasodutos das regiões Sul e Sudeste – o Grupo Cosan é controlador da Comgás, maior distribuidora de gás do país, com concessão de 87 cidades em São Paulo.

Contratos futuros do WTI subiram 4,78%, fechando a US$ 33,49 o barril na quarta (30), enquanto Brent valorizou 3,17%, a US$ 35,75. Referências voltaram a abrir em alta nesta quinta (21) – Brent para julho atingiu US$ 36,88.

— EUA está cortando as alíquotas de royalties sobre a produção em terra. Órgãos do governo haviam negado uma redução generalizada, que valeria inclusivo para o Golfo do México, mas o US Bureau of Land Management (BLM) autorizou a redução da cobrança em dezenas de contratos em terra, aplicando taxas temporárias de até 2,5%. Argus

O presidente da Abradee (distribuidoras de energia), Marcos Madureira, afirmou à Folha que a Conta-COVID deixará o setor parcialmente descoberto em relação aos impactos da crise. O governo determinou que os empréstimos emergenciais servirão para prolongar a amortização de efeitos sobre a compra de energia, encargos e outros itens setoriais, mas reequilíbrio financeiro e reajustes tarifários serão feitos em ritos normais, por meio a Aneel.

— A Aneel ainda precisa regulamentar itens do decreto – que por sua vez, regulamenta a previsão dos empréstimos na MP 950, que ainda não andou no Congresso Nacional. Há pressa, para permitir a tomada dos empréstimos o quanto antes. Aneel deve apresentar proposta na terça (26). Estadão.

O ministro Bento Albuquerque participou de evento virtual do IBP nesta quarta (20). Afirmou que ainda confia na aprovação da Lei do Gás na Câmara neste primeiro semestre – Congresso Nacional já discute suspender o recesso parlamentar no meio do ano. IBP (Youtube)

— E destacou que “a Petrobras, o agente dominante, está assinando novos contratos com um custo 30% menor”. Os reajustes levaram em conta a queda nos preços do barril de petróleo, que nos contratos atuais ainda ditam o custo da molécula de gás natural.

— Também defendeu reformas: “[A crise] é uma grande oportunidade para trabalharmos essa questão dos regimes de exploração. Tínhamos um programa em curso, e agora isso se tornou ação prioritária do programa Pró-Brasil”. O MME trabalha em atualizações da modelagem de leilões e mudanças em regras da partilha, dentro do que é possível fazer sem alterações legais – no Senado, há discussão sobre mudança no regime e oferta de áreas sob concessão no polígono do pré-sal.

A Rio Oil & Gas 2020 foi adiada, sem nova data definida, por conta da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

epbr