Repasse de alta do petróleo à gasolina elevaria preço do açúcar em US$ 0,03/lp
18-03-2026
Cotação poderia subir ainda mais se não houvesse a necessidade de o etanol aumentar seu diferencial em relação à gasolina para garantir vendas
Por Camila Souza Ramos — São Paulo
Um eventual repasse por parte da Petrobras dos preços do petróleo no mercado internacional para as vendas de gasolina A no mercado interno poderia impulsionar os preços globais do açúcar em cerca de 3 centavos de dólar a libra-peso, retirando-os do menor patamar em cerca de cinco anos em que estão.
A conta foi feita pela consultoria Global Markets. Segundo esses cálculos, em um cenário sem nenhum repasse de preços por parte da Petrobras e no qual o preço do etanol tenha que cair para garantir competitividade para consumir o excedente de produção, o piso (“nível implícito”) para o preço do açúcar seria de 13,5 centavos de dólar por libra-peso, nas vendas das usinas de São Paulo.
Já em um cenário caso em que a Petrobras repasse integralmente os custos mais elevados de importação de combustíveis, mantendo a correlação entre o etanol hidratado e a gasolina, o piso poderia subir para cerca de 16,2 centavos de dólar por libra-peso, segundo a Hedgepoint.
O preço do açúcar poderia subir ainda mais se não houvesse a necessidade de o etanol aumentar seu diferencial em relação à gasolina para garantir vendas. Segundo a consultoria, se a correlação não alterasse, o preço do açúcar seria de mais de 17,4 centavos de dólar por libra peso (atual nível de remuneração equivalente oferecido pelo etanol).
O preço dos combustíveis no mercado interno brasileiro interfere diretamente na formação de preços do açúcar no mercado internacional porque as usinas de cana-de-açúcar do Brasil são as maiores exportadoras de açúcar do mundo e podem arbitrar entre produzir mais etanol ou mais açúcar a depender de qual produto oferece maior remuneração.
Recentemente, as cotações internacionais do açúcar encontravam-se em mínimas históricas por causa do excedente de oferta global, com uma demanda mais fraca que o esperado e produções maiores na Ásia.
Nos últimos dias, os preços começaram a subir por causa de movimentos de cobertura de posições vendidas por parte dos fundos especulativos, que vêm reagindo às incertezas provocadas pelo prolongamento da guerra no Oriente Médio. Hoje, os contratos para maio fecharam a 14,45 centavos de dólar a libra-peso.
Fonte: Globo Rural

