Safra 2026/27 pode ser a segunda maior da história, mas excesso de chuvas ameaça colheita
22-09-2026
Produção é estimada em cerca de 640 milhões de toneladas
A safra 2026/27 de cana-de-açúcar caminha para ser a segunda maior da história do Centro-Sul, com moagem estimada em cerca de 640 milhões de toneladas. A projeção foi apresentada por João Rosa, o Botão, diretor do Pecege, durante o Sphenophorus Summit, promovido pela Syngenta em Ribeirão Preto (SP).
Segundo o especialista, o volume elevado de chuvas favoreceu o desenvolvimento dos canaviais e levou a produtividade a patamares superiores aos da temporada anterior. Até meados de setembro, a média acumulada alcançou aproximadamente 90 toneladas de cana por hectare, resultado 10% maior que o registrado no mesmo período de 2025/26.
O ganho de rendimento tende a reduzir o custo de produção por tonelada, em decorrência da maior produtividade, trazendo algum alívio em um cenário de margens pressionadas.
O mesmo clima que impulsionou o potencial produtivo também dificultou o ritmo das operações agrícolas. Com muita matéria-prima disponível e interrupções causadas pelas chuvas, a principal dúvida passou a ser se as usinas conseguirão colher todo o volume existente no campo.
Na base de clientes acompanhada semanalmente pelo Pecege, entre 11 milhões e 12 milhões de toneladas já haviam sido identificadas com possibilidade de permanecer no campo. “Não seria um chute, ou talvez uma coisa muito absurda, falar em 25 milhões a 30 milhões de toneladas que podem ser bisadas”, disse Botão.
Com esse cenário, a moagem pode avançar até dezembro. Algumas unidades também avaliam antecipar o começo da próxima temporada, e há casos em que a operação poderá ser praticamente emendada.
Considerando a cana processada até março, o Pecege estima que o Centro-Sul possa moer cerca de 640 milhões de toneladas na safra 2026/27. Se confirmado, o volume colocará o ciclo entre os maiores já registrados na região.
A projeção, no entanto, incorpora parte da cana bisada que poderá ser processada no início de 2027. Por isso, o tamanho potencial da safra e o volume efetivamente colhido dentro do calendário convencional serão indicadores diferentes. “Se nós vamos conseguir colher é outra história”, resumiu.
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