Safra menor e queda no preço da cana geram prejuízo de R$ 500 milhões em Pernambuco
05-02-2026
Tarifa dos EUA e retração do mercado agravam perdas no campo e pressionam empregos no estado
A combinação entre safra menor, forte queda no preço da cana e mudanças no cenário internacional do açúcar provocou um impacto socioeconômico relevante no setor sucroenergético de Pernambuco, com reflexos diretos na produção, na renda dos fornecedores e na sustentabilidade das usinas instaladas no estado.
Entre agosto e dezembro de 2025, a moagem das 13 usinas pernambucanas recuou 18,3% na comparação com igual período do ano anterior, segundo dados do setor. O desempenho ocorreu em um contexto de preços mais baixos, agravado por condições climáticas adversas, especialmente a seca, que historicamente amplia os efeitos negativos sobre a produtividade agrícola.
No mesmo intervalo, o valor médio da tonelada de cana caiu 20,4%, mesmo diante do aumento dos custos de produção. A matéria-prima foi comercializada, em média, a R$ 137,23 por tonelada, frente aos R$ 172,46 registrados anteriormente. O movimento reduziu a margem dos produtores e aprofundou a crise financeira em toda a cadeia.
Pernambuco conta atualmente com 13 usinas em operação e mais de 10 mil fornecedores de cana-de-açúcar. O setor estima prejuízos da ordem de R$ 500 milhões, com impactos diretos sobre um segmento que emprega cerca de 50 mil trabalhadores em aproximadamente 50 municípios do estado.
Diante do agravamento do cenário e das perspectivas negativas para a próxima safra, entidades representativas do setor intensificaram a articulação junto ao governo estadual em busca de políticas públicas emergenciais. Representantes da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, do Sindicape, do Sindaçúcar, de sindicatos de trabalhadores rurais e deputados estaduais apresentaram propostas ao secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, em reunião realizada no Palácio do Campo das Princesas. Um novo encontro está previsto para esta quinta-feira.
A expectativa do segmento é a adoção de medidas de curto prazo que ajudem a reduzir os custos de produção e mitigar os efeitos da crise. Entre as propostas está a aquisição e distribuição de adubo para os produtores. Segundo Alexandre Andrade Lima, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, o pleito já foi apresentado à governadora Raquel Lyra como uma das alternativas para preservar a atividade e os empregos no campo.
Além das ações emergenciais, há um projeto de alcance mais amplo em elaboração pelo governo estadual, por meio do Instituto Agronômico, com foco no apoio aos agricultores familiares. A proposta foi encaminhada pela associação ao secretário da Casa Civil, que deverá tratar do tema diretamente com o órgão técnico.
As demandas do setor contam com o apoio de parlamentares da Assembleia Legislativa de Pernambuco, entre eles Antônio Moraes, France Hacker, Nino de Enoque e Henrique Filho, que participaram da primeira rodada de reuniões com o Executivo estadual. O setor avalia que a efetividade das medidas será decisiva para evitar o aprofundamento da crise na próxima safra e preservar a base produtiva da cana no estado.

