Safra no Norte e Nordeste mantém foco no etanol até abril
01-06-2026

Moagem recua 2%, açúcar cai 15,8% e mix alcooleiro supera 55%

Andréia Vital

A safra 2025/26 de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste caminha para o encerramento mantendo uma estratégia mais voltada à produção de etanol. Até 30 de abril, a moagem acumulada atingiu 55,9 milhões de toneladas, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. Do total processado, 55,2% da matéria-prima foi destinada à fabricação do biocombustível.

Os dados são da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), com base em informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Na Região Norte, a moagem permaneceu em 6,9 milhões de toneladas, resultado 5,5% inferior ao observado um ano antes. No Nordeste, o processamento alcançou 48,9 milhões de toneladas, retração de 1,4% na comparação anual.

Segundo o presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha, fatores de mercado e condições climáticas influenciaram o desempenho da temporada. De acordo com ele, as tarifas impostas pelos Estados Unidos reduziram a competitividade do açúcar brasileiro, incentivando as usinas a direcionarem mais cana para a produção de etanol. Ao mesmo tempo, adversidades climáticas contribuíram para a redução da moagem.

O reflexo dessa estratégia aparece nos indicadores de produção. Até o fim de abril, a fabricação de açúcar somou 3,135 milhões de toneladas, queda de 15,8% em relação ao mesmo período da safra anterior. Já a produção total de etanol alcançou 3,017 milhões de metros cúbicos, avanço expressivo frente aos 2,239 milhões de metros cúbicos registrados um ano antes, considerando tanto o produto derivado da cana quanto o obtido a partir do milho.

Na produção de etanol de cana, o volume de anidro atingiu 892,8 mil metros cúbicos, crescimento de 7,9% na comparação anual. O hidratado totalizou 1,392 milhão de metros cúbicos, com recuo de 1,4%. No segmento de etanol de milho, a produção permaneceu em 732 mil metros cúbicos, dos quais 637,5 mil metros cúbicos correspondem ao anidro e 94,5 mil ao hidratado.

Os indicadores de qualidade da matéria-prima também apresentaram desempenho inferior. O Açúcar Total Recuperável (ATR) nos produtos finais registrou queda de 6,8% em relação ao mesmo período da safra passada. O ATR por tonelada de cana recuou 4,9%, refletindo os impactos das condições climáticas sobre o desenvolvimento dos canaviais.

Mesmo com a redução da moagem, a execução da safra permanece próxima das projeções iniciais. Até 30 de abril, o setor havia alcançado 94,7% do volume estimado para a temporada nas duas regiões. A Região Norte manteve índice de execução de 97%, enquanto o Nordeste avançou para 94,4%.

Os estoques de etanol também recuaram. O volume armazenado de etanol de cana totalizava 104,6 mil metros cúbicos ao final de abril, sendo 65,9 mil metros cúbicos de hidratado e 38,7 mil metros cúbicos de anidro. No caso do etanol de milho, os estoques permaneceram em 33,3 mil metros cúbicos, dos quais 30,5 mil metros cúbicos eram de anidro e 2,8 mil de hidratado.

Somando os dois tipos de matéria-prima, os estoques encerraram abril em 138 mil metros cúbicos, volume 23,89% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. A redução foi de 15,39% para o etanol anidro e de 28,12% para o hidratado.