São Martinho busca reduzir exposição ao mercado interno de etanol hidratado
09-11-2022
A São Martinho decidiu empenhar mais recursos para direcionar sua produção para o etanol anidro, que pode tanto ser misturado à gasolina no mercado interno como atender à demanda do mercado externo. A medida visa reduzir sua exposição ao mercado doméstico de etanol hidratado (que compete com a gasolina), sobre o qual pairam indefinições a respeito do destino da isenção dos tributos federais e sobre a competitividade com a gasolina da Petrobras no próximo governo.
Em seu plano de investimentos para esta safra, a companhia adicionou R$ 60 milhões para aumentar a flexibilidade de suas três usinas em São Paulo e tornar viável uma maior produção de etanol anidro. O aporte devera ser concluído ate o início da próxima safra (2023/24).
Com os investimentos, a São Martinho conseguirá produzir mais 80 milhões de litros de etanol anidro no caso de um mix de produção mais açucareiro, ou mais 160 milhões de litros no caso de um mix mais alcooleiro, segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro da companhia, em teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre da safra atual.
Caso a companhia repita na próxima safra a moagem de cana e a produção esperadas para a temporada atual, o etanol hidratado já representará uma parcela significativamente menor de sua produção. Repetindo a fabricação de 1,2 bilhão de litros de etanol no total, apenas 450 milhões de litros serão de etanol hidratado.
Mesmo para esta entressafra, a São Martinho não descarta desidratar parte do etanol hidratado produzido para atender à demanda por anidro dentro e fora do país.
Na planta de etanol de milho, cuja construção está praticamente concluída e que está para começar a operar nas próximas semanas, toda a produção será de etanol anidro.
Taxa de retorno
A taxa de retorno do investimento em etanol anidro está na casa dos 20%, mesmo considerando que as vendas ocorram no mercado interno, já que o prêmio do anidro sobre o hidratado está em níveis elevados.
Nesta safra, porém, a companhia vem apostando mais nas vendas ao mercado externo, aproveitando o prêmio garantido à certificação Bonsucro, que garante padrões socioambientais da produção de cana.
Como o preço doméstico caiu muito com a desoneração da gasolina no país, a exportação ficou significativamente mais atrativa. "Se voltar a tributação, talvez não tenha tanta exportação."
Irrigação
A empresa também está investindo mais R$ 140 milhões nesta safra na irrigação de 20 mil hectares de cana que abastecem a Usina São Martinho, em Pradópolis (SP). O projeto aproveitará os canais de irrigação de vinhaça para realizar irrigação de salvamento em áreas próprias da companhia.
Em um ano com clima regular, a irrigação deve acrescentar entre 10 e 15 toneladas por hectare de produtividade. Já em anos de pouca chuva, a irrigação pode acrescentar até 35 toneladas por hectare, segundo Vicchiato. Na safra atual, a colheita de cana da companhia deve aumentar apenas 0,5%, com as lavouras ainda afetadas pela estiagem prolongada e pela geada do ano passado.
A São Martinho guarda na manga projetos para investir na irrigação de canaviais da Usina Santa Cruz e da Usina Boa Vista, mas ainda vai avaliar o cenário. Nesses casos, os aportes seriam maiores, porque não há canais prontos de irrigação de vinhaça, como na usina de Pradópolis. "Esperamos não precisar fazer, porque esperamos que o clima se normalize. Quanto o clima está normal, não precisa de investimento em irrigação. A Irrigação é só para situações bem anormais", disse o diretor financeiro.
Biogás e biometano
A São Martinho também segue estudando a possibilidade de um investimento na produção de biogás e biometano. Segundo Vicchiato, o aporte necessário seria de R$ 180 milhões.
A produção seria feita na Usina Santa Cruz, a partir apenas de vinhaça, e 20% do biometano seria destinado ao abastecimento de frotas próprias. A decisão do investimento, porém, ainda não foi tomada. Um dos principais fatores necessários para a decisão do aporte é o aumento da oferta de caminhões e colhedoras de cana que rodem com biometano e com boa potência, segundo o executivo.
Fonte: Valor Econômico

