São Martinho lança rota sustentável para transporte de açúcar
01-06-2026
Projeto multimodal reduz em até 87% as emissões de carbono
Andréia Vital
A São Martinho anunciou nesta sexta-feira (29) o lançamento do projeto Rota Verde, uma operação logística multimodal voltada ao transporte de açúcar que integra os modais rodoviário e ferroviário com foco na redução das emissões de gases de efeito estufa. Desenvolvida em parceria com a Rumo, a Necta e a Transvale, a iniciativa atenderá a Unidade Santa Cruz, localizada em Américo Brasiliense – SP.
A operação utilizará caminhões movidos a gás natural e, posteriormente, a biometano, para o transporte do açúcar até o terminal ferroviário da Rumo em Itirapina – SP. A partir desse ponto, a carga seguirá por ferrovia até o Porto de Santos. O modelo busca ampliar a eficiência logística e reduzir a dependência de combustíveis fósseis ao longo da cadeia de transporte.
Em sua fase inicial, o projeto contará com veículos equipados com tecnologia Scania G460 Gás. A proposta é migrar gradualmente para uma frota abastecida integralmente com biometano produzido pela própria São Martinho. A planta de biometano da companhia, instalada em Américo Brasiliense – SP, entrou em operação em agosto de 2025 após investimentos de R$ 250 milhões.
Segundo a empresa, a utilização do combustível renovável produzido a partir de resíduos industriais reforça o conceito de economia circular. O excedente gerado pela unidade será destinado ao abastecimento dos caminhões envolvidos na operação, reduzindo custos logísticos e agregando valor à cadeia produtiva.
A expectativa é movimentar cerca de 350 mil toneladas de açúcar por ano. Estudo de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) elaborado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia aponta potencial de redução de até 87% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação ao transporte realizado por veículos movidos a diesel.
Para Helder Gosling, diretor comercial e de logística da São Martinho, a iniciativa combina ganhos operacionais e avanços ambientais. Segundo ele, o projeto demonstra como a integração entre diferentes modais e o uso de combustíveis renováveis podem contribuir para uma logística mais eficiente.
A operação terá início em maio de 2026 e será conduzida pela Transvale até março de 2030. A transportadora investirá aproximadamente R$ 15 milhões na aquisição de 10 conjuntos rodotrem caçamba com capacidade de 47 toneladas cada. Os veículos operarão 24 horas por dia, 26 dias por mês, durante dez meses por ano.
De acordo com a São Martinho, o novo modelo poderá elevar em até 20% a produtividade da operação logística da companhia, com redução do tempo médio de transporte e maior previsibilidade nos embarques destinados à exportação.
José Eduardo Moreira, CEO da Necta, afirma que o projeto reforça a competitividade do biometano frente aos combustíveis tradicionais. Já Altamir Perottoni Junior, vice-presidente comercial da Rumo, destaca que a combinação entre ferrovia e transporte rodoviário sustentável amplia o potencial de descarbonização da logística do agronegócio.
A operação permanecerá em funcionamento até março de 2030, período em que a expectativa é consolidar o uso do biometano como alternativa de larga escala no transporte de cargas do setor sucroenergético.

