São Paulo avança em plano logístico até 2050
27-03-2026

Estado concentra 31% do PIB e 46% do fluxo de cargas

Andréia Vital

Com apenas 3% do território nacional, São Paulo concentra 31% do PIB brasileiro e responde por cerca de 46% do fluxo de cargas do país, com mais de 1,2 bilhão de toneladas transportadas ao ano. Esse protagonismo foi reforçado no 9º Fórum Regional do Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo 2050, realizado na capital, que marcou o encerramento da fase de escuta regional do planejamento.

O encontro reuniu representantes do setor público, iniciativa privada e especialistas para validar análises técnicas e consolidar contribuições que vão orientar a definição e priorização de projetos logísticos no Estado. A iniciativa entra agora na etapa decisiva de estruturação da carteira de investimentos.

Segundo o subsecretário de Logística e Transportes, Denis Gerage Amorim, “encerramos um ciclo fundamental de escuta qualificada em todo o Estado, que nos permitiu transformar percepções regionais em insumos técnicos concretos”. Ele acrescenta que a próxima fase será dedicada à definição dos projetos estratégicos com base em evidências e demandas regionais.

Ao longo de seis meses, o plano percorreu diferentes regiões do Estado e reuniu mais de 500 participantes em nove fóruns. Além disso, foram recebidas 87 propostas por meio de consulta online, organizadas por temas, modais e regiões, reforçando a base técnica do planejamento.

Na Região Metropolitana de São Paulo, que reúne cerca de 21 milhões de habitantes em 39 municípios, os desafios logísticos ganham maior complexidade. O debate destacou a necessidade de ampliar a integração entre modais de transporte e diversificar soluções, com foco em eficiência, redução de custos e sustentabilidade.

Entre os projetos estruturantes, o Trem Intercidades aparece como uma das principais iniciativas, conectando a capital a polos como Campinas, Sorocaba, Santos e São José dos Campos. O plano também incorpora o conceito de Expresso Carga, que propõe o uso da malha ferroviária para transporte de cargas, reduzindo a pressão sobre o sistema rodoviário urbano.

Para Adalberto Febeliano, diretor adjunto do Deinfra da Fiesp, “a escuta qualificada promovida pelo plano é fundamental para orientar investimentos mais eficientes e fortalecer a competitividade da indústria paulista”. Já Pedro Eusébio Baptista Oviedo, do Ciesp, afirma que a eficiência logística é determinante para manter o Estado como motor econômico do país.

O planejamento também prevê intervenções rodoviárias, incluindo melhorias nos acessos urbanos, conexões com marginais, avanços no Rodoanel e otimização do sistema Anchieta Imigrantes.

Além da infraestrutura, o plano reforça a necessidade de integração entre políticas públicas e governança. A proposta inclui alinhamento entre planos municipais e diretrizes regionais para garantir continuidade e eficiência na execução dos investimentos.

Dentro desse contexto, o programa SP Pra Toda Obra já movimentou cerca de R$ 1 bilhão entre 2023 e 2025, com recuperação de mais de 260 km de rodovias e melhorias em vias estratégicas. Atualmente, há R$ 99,9 milhões em obras em andamento e previsão de R$ 646,9 milhões em novos investimentos.

Coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, o plano busca integrar modais como rodoviário, ferroviário, hidroviário, aeroportuário e portuário em uma estratégia única, com foco na redução de custos logísticos, aumento da competitividade e desenvolvimento econômico de longo prazo.