Setor sucroenergético defende convivência pacífica com apicultoresvoltar

Publicado em : 09/10/2018
Setor sucroenergético defende convivência pacífica com apicultores
Renata Camargo, assessora Jurídica e de Sustentabilidade da ÚNICA

Evento em Piracicaba fez um alerta para a importância de uma comunicação eficaz entre produtores de cana e de abelhas

Na segunda quinzena de setembro (27/09), o auditório da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana de SP), em Piracicaba (SP), recebeu representantes de empresas do setor sucroenergético da região para o lançamento do estudo "Aplicação Aérea de Defensivos Agrícolas - Impactos econômicos e sociais do banimento da atividade". No mesmo encontro, eles também puderam assistir uma palestra sobre a importância da preservação das diferentes espécies de abelhas, apresentada por Carolina Matos, da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de SP, e o caso de sucesso do projeto Polinizar, desenvolvido pela empresa Cofco International em parceria com a Syngenta.

O principal objetivo desse encontro foi gerar conhecimento sobre o tema, esclarecendo que a aplicação aérea de defensivos agrícolas, quando realizada de acordo com a legislação vigente, não representa riscos de mortandade para as abelhas, sendo possível criar um ambiente harmonioso e produtivo entre os produtores de cana e apicultores por meio de uma comunicação efetiva e adoção conjunta de técnicas de manejo adequadas.

O estudo, coordenado pelo economista Elvino de Carvalho Mendonça, aponta que a aviação é essencial para o aumento da produtividade agrícola brasileira e mundial: “A proibição (da aplicação aérea de defensivos) poderia afetar a qualidade dos alimentos, exportação e, consequentemente, a renda da população”. Ele ainda ressaltou que atividade de aplicação aérea de defensivos agrícolas é regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), pela Agência Nacional da Aviação Aérea e por órgãos estaduais, sendo objeto de fiscalizações e auditorias frequentes.

No que se refere ao setor sucroenergético, o estudo evidencia as dificuldades de utilização de outros instrumentos de aplicação de defensivos. De acordo com Renata Camargo, assessora Jurídica e de Sustentabilidade da UNICA, “as áreas de cultivo são estruturadas em grandes talhões para permitir a colheita mecanizada, sendo impossível, em função do crescimento vegetativo do canavial, a aplicação de defensivos por meio manual, com equipamentos costais, ou mesmo por tratores com braços extensores, uma vez que o canavial é um extenso e denso maciço vegetativo, o que impede o acesso de pessoas e equipamentos agrícolas após certa fase do cultivo”.

Ainda de acordo com a representante da entidade, o fim da queima da cana como método pré-colheita trouxe um novo desafio para o setor no que se refere ao manejo e controle das pragas: “Tivemos que desenvolver novas formas de controle, incluindo técnicas de controle biológico e uso da aplicação aérea. O setor está trilhando uma nova curva de aprendizagem. Para tanto, a UNICA está desenvolvendo um novo projeto de comunicação para promover a boa convivência não só com apicultores, mas com produtores de orgânicos e de outras culturas no entorno das usinas".

Para Junior Oliveira, presidente do SINDAG é possível a coexistência de todas as atividades agrícolas, desde que elas se comuniquem, tratem o tema com responsabilidade, entendam suas responsabilidades individuais e atendam o que é necessário para que possam conviver. "A aviação agrícola cresceu 10% no País nos últimos 10 anos, em número de aeronaves e atendimento a diferentes culturas. Sabemos também que a produção de mel cresce muito no Brasil. Temos uma grande preocupação com a vida das abelhas e queremos contribuir, inclusive, para a profissionalização desse setor que é bastante heterogêneo", conclui o executivo.

Paula Arigoni, especialista da Sindiveg, defende o melhor entendimento sobre problemas que surgem relacionados à indústria de defensivos e à agricultura, como é o caso da mortandade das abelhas, para avaliar o que precisa ser melhorado e desenvolvido como prática no campo. "Criamos o projeto Colmeia Viva, que atua na interação entre defensivos agrícolas, apicultura e a agricultura. Então, temos um olhar sobre a melhor convivência entre atividades independentes, como é o caso da cana-de-açúcar e abelhas, sobre a preservação da biodiversidade e sobre culturas que dependem da polinização das abelhas. Tudo isso para promover o uso correto e seguro dos defensivos", afirma Arigoni.

Projeto Polinizar

Desde o final de 2016, a Cofco International, produtora de açúcar e etanol associada da UNICA, em parceria com a Syngenta, tem colhido resultados positivos no âmbito do Projeto Polinizar, que busca aproximar e fomentar o diálogo entre os apicultores e a usina. Entre as ações dessa iniciativa estão a formalização dos apicultores, com a identificação do local de instalação de suas caixas nas áreas de vegetação nativa, a sua capacitação técnica, com a realização de treinamentos periódicos buscando maior produtividade das colmeias e a adoção de técnicas de manejo de maneira conjunta pela usina e os apicultores.

"Melhoramos nossas práticas ambientais na preservação dos pastos apícolas e a nossa comunicação com os criadores de abelhas. No início do projeto, tivemos que fazer um mapeamento desses profissionais e hoje muitos nos procuram para fazer parte do projeto", afirma Luiz Gustavo Ares Kabbach, gerente Técnico da Cofco.

"Ao apoiarmos o projeto Polinizar, buscamos promover as boas práticas agrícolas no uso das tecnologias para defesa vegetal. Isso significa garantir que apicultores e produtores de cana se engajem em manter um canal de colaboração e comunicação ativo, em que todos se beneficiem da coexistência harmoniosa entre as atividades produtivas e o meio ambiente”, afirma Edemilson Marzochi, gerente de Sustentabilidade da Syngenta.

 


Fonte: Unica
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